
- Ações caem a US$ 9,20 mesmo com alta de 29% na receita líquida
- Itaú BBA rebaixa INTR e reduz preço-alvo para US$ 10
- Custo de crédito e despesas pressionam revisões de lucro para 2025 e 2026
O Itaú BBA rebaixou a recomendação da Inter & Co (INBR32) de Superar para Desempenho de Mercado e ajustou o preço-alvo de US$ 11 para US$ 10, após revisar as projeções para 2025 e 2026. A decisão ocorre mesmo depois de um trimestre forte em receita.
O banco afirmou que despesas mais altas, custo de crédito crescente e transições maiores entre estágios de risco elevaram alerta e reduziram assimetria.
Corte nas estimativas liga sinal de cautela
Segundo o relatório, o Itaú BBA revisou para baixo as estimativas de lucro da Inter & Co em 6% para 2025 e 8% para 2026, chegando a R$ 1,3 bilhão e R$ 1,9 bilhão, respectivamente. O movimento veio após os números do terceiro trimestre mostrarem pressão relevante nos custos.
O banco destacou que, apesar de a receita líquida de juros ter avançado, o salto das despesas de SG&A e o aumento do custo de crédito limitaram a expansão da lucratividade.
Além disso, a instituição observou migrações maiores de crédito do estágio 1 para o 2 e do 2 para o 3, indicando risco adicional nas provisões futuras.
Valuation elevado reduz assimetria do papel
O Itaú BBA afirmou que a Inter & Co negocia próxima a 2x preço/valor patrimonial, patamar considerado alto diante do retorno sobre patrimônio perto de 15%. Para os analistas, essa relação reduz o potencial de ganhos e exige execução mais firme, especialmente na frente de cartões.
Mesmo com o rebaixamento, o banco reconheceu a “entrega sólida de 2025”, ressaltando que a gestão continua eficiente na estratégia ligada à folha de pagamento privada.
O relatório também enfatizou que a história de longo prazo da companhia segue atraente, mas com menor prêmio de risco no momento.
Ações recuam mesmo após forte crescimento da receita
Paralelamente ao relatório, o mercado reagiu mal aos números recentes. A Inter & Co registrou receita líquida de R$ 2,1 bilhões no 3º tri, alta de 29% frente ao ano anterior.
Mesmo assim, as ações fecharam a US$ 9,20, refletindo dúvidas sobre a capacidade de sustentar o crescimento dos lucros. A empresa tinha previsão de LPA de US$ 0,1498, embora o resultado efetivo não tenha sido divulgado.
Para analistas, o cenário mostra como lucros em alta nem sempre garantem valorização, especialmente em um ambiente de concorrência mais intensa e custos crescentes.