Diferença marcante

Itaú dispara, BB decepciona: números dos bancos revelam contraste inesperado no 3T25

Temporada expõe abismo entre desempenho das instituições, com Itaú mantendo força e Banco do Brasil surpreendendo negativamente.

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  • Bradesco avança devagar e Santander cresce, mas com qualidade questionada
  • Itaú mantém liderança com ROE elevado e inadimplência controlada
  • Banco do Brasil decepciona com queda de 60% no lucro e carteira Agro deteriorada

O 3º trimestre de 2025 consolidou um ambiente de resultados firmes para o setor financeiro, mas trouxe uma diferença marcante entre os principais bancos do país. Enquanto o Itaú (ITUB4) voltou a entregar números sólidos e sustentou a expectativa de continuidade no seu ciclo de alta performance, o Banco do Brasil (BBAS3) amargou uma queda acentuada no lucro ajustado, novamente pressionado pela carteira de Agro.

Além disso, o trimestre destacou movimentos relevantes de Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11), que avançaram em frentes específicas, embora ainda enfrentem desafios que limitam o entusiasmo do mercado. Dessa forma, a temporada reforçou o distanciamento entre líderes e instituições em fase de correção estratégica.

Itaú mantém ritmo forte e segue isolado entre os grandes

O Itaú (ITUB4) mais uma vez entrou na temporada com consistência e eficiência operacional. O banco registrou ROE de 23,3%, acima dos 22,7% do ano anterior e distante dos principais concorrentes. Esse desempenho robusto reforça a capacidade da instituição de entregar previsibilidade, algo valorizado em um período de crédito ainda cauteloso.

Além disso, a carteira de crédito ultrapassou R$ 1,4 trilhão, apoiada em expansão bem distribuída e risco sob controle. A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9%, indicando uma gestão equilibrada mesmo em linhas sensíveis. Por causa desses fatores, especialistas afirmam que o banco sustenta o otimismo dos investidores, embora não haja perspectiva de movimentos explosivos no curto prazo.

Por fim, o trimestre também mostrou avanço de linhas complementares, como receitas de serviços, que continuam crescendo de forma consistente. Esse conjunto reforça a posição do Itaú como principal referência entre os bancos listados, com desempenho que permanece acima do setor.

BB afunda no trimestre e mantém alerta sobre carteira Agro

O Banco do Brasil (BBAS3) entregou o pior resultado entre os grandes, com uma queda de 60% no lucro ajustado em relação ao ano anterior. Ainda que parte do movimento já estivesse precificada, o recuo superou a percepção do mercado, sobretudo pela deterioração contínua da carteira Agro. Portanto, analistas reforçaram preocupações que se acumulam há trimestres.

A XP reiterou recomendação neutra para o papel, citando combinação de ROE fraco, dividend yield pouco atrativo e recuperação lenta. Segundo a corretora, o ritmo de piora na inadimplência acima de 90 dias segue acelerado, o que limita qualquer expectativa de reversão rápida. Assim, o banco deve enfrentar pressão adicional até que o guidance seja recalibrado.

Embora o BB apresente múltiplos aparentemente baratos, o cenário atual desacelera teses de valorização. Além disso, o incremento nas provisões e a falta de sinais consistentes de melhora tornam o trimestre um divisor de águas para a instituição.

Bradesco evolui, mas desempenho ainda fica aquém do projetado

O Bradesco (BBDC4) confirmou expectativas de continuidade no processo de recuperação iniciado em 2024. Apesar disso, parte do mercado avaliou que os números ficaram abaixo do ideal, com indicadores importantes ainda sensíveis. Mesmo assim, o banco registrou crescimento da carteira de crédito em 2%, além de maior geração de receitas de serviços.

A desalavancagem de linhas críticas continua, embora as provisões tenham subido 5%, pressionadas por casos corporativos. Para o varejo, porém, houve melhora consistente no custo do crédito, o que indica avanço gradual no processo de normalização. Esse comportamento reforça a leitura de que o banco entra em um estágio mais estável da reestruturação.

Segundo análises divulgadas por diferentes casas, o Bradesco alcançou uma nova base de rentabilidade e manteve a tendência positiva que já acumula sete altas consecutivas de lucro trimestral. Assim, embora o desempenho não seja excepcional, confirma o progresso do bank turnaround.

Santander surpreende no lucro, mas preocupa nos bastidores

O Santander (SANB11) reportou lucro acima das projeções e reagiu positivamente no mercado. Ainda assim, o balanço não foi suficiente para afastar dúvidas sobre a qualidade dos ativos. O resultado, embora forte na comparação com estimativas, mostrou fragilidades relevantes quando observados itens estruturais.

O JPMorgan avaliou que o trimestre apresentou qualidade fraca, mesmo com o lucro por ação superando expectativas em 5%. O principal ponto de atenção veio da queda de 6% no EBT (lucro antes dos impostos), mascarada por uma alíquota efetiva de apenas 4%, muito abaixo dos 15% estimados inicialmente. Portanto, o banco segue sob escrutínio em relação à consistência de resultados futuros.

Apesar disso, a instituição mantém boas expectativas para o curto prazo, respaldada pela maior resiliência em portfólios específicos. Entretanto, analistas ressaltam que ajustes adicionais serão necessários para que o banco recupere competitividade entre os grandes.

Perspectivas: Itaú deve quebrar recorde, e BB revisará guidance

Com base em levantamento da Elos Ayta, apoiado pela plataforma de consensus Aleeph, o lucro agregado das cinco maiores instituições financeiras superou projeções na maior parte dos casos. Em resumo, o trimestre solidificou o bom momento do setor, embora tenha ampliado o contraste entre Itaú e Banco do Brasil.

As projeções para o 4T25 indicam que o Itaú pode bater um novo recorde de lucro trimestral, impulsionado por eficiência operacional e carteira saudável. Já o BB tende a ajustar suas metas oficiais, pressionado pela piora estrutural da carteira Agro e pela necessidade de revisão de premissas.

Além disso, o levantamento aponta diferenças relevantes no potencial de geração de lucro entre as instituições, o que pode definir o tom da próxima temporada e influenciar as decisões dos investidores.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.