
- JP Morgan mantém recomendação neutra para Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4), diante de elevada alavancagem e incertezas estratégicas.
- Cosan é vista como opção mais defensiva, após capitalização e reforço de governança com BTG e Perfin.
- Raízen segue pressionada por queima de caixa, possível aumento de capital e preços fracos de açúcar e etanol.
Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4) seguem sob pressão e continuam como apostas arriscadas para 2026, segundo avaliação do JP Morgan. O banco manteve recomendação neutra para ambas, em meio a um cenário de alavancagem elevada, juros altos e incertezas estratégicas.
Ainda assim, os analistas deixam claro que há diferenças relevantes entre as teses. A Cosan aparece como a preferida, enquanto a Raízen enfrenta um momento mais delicado, marcado por reestruturação operacional e forte consumo de caixa.
Pressão financeira segue como principal obstáculo
Em primeiro lugar, o JP Morgan destaca que o aumento da taxa de juros, mantida em torno de 15% ao longo de 2025, impactou diretamente as duas companhias. Como resultado, a alavancagem se tornou um ponto central de preocupação para o mercado.
No caso da Cosan, houve avanço com um acordo de injeção de capital via BTG Pactual e Perfin. Porém, mesmo após a capitalização, o banco avalia que a tese segue dependente de novos eventos.
Já na Raízen, a situação é mais sensível. Até o momento, a empresa ainda busca uma solução definitiva para reforço de capital, o que mantém o nível de incerteza elevado.
Cosan (CSAN3): tese depende de novos gatilhos
Segundo o JP Morgan, a Cosan (CSAN3) continua altamente dependente de movimentos estratégicos. Entre eles, uma eventual capitalização da Raízen e a venda de ativos não essenciais.
Além disso, o banco trabalha com um preço-alvo de R$ 6 para a holding. Considerando um desconto de 25% sobre o valor patrimonial, os analistas afirmam que não enxergam um potencial relevante de valorização no curto prazo.
Ainda assim, há espaço para melhora. No médio prazo, a redução da alavancagem e um ambiente mais favorável, com juros menores e retomada de IPOs, podem diminuir o desconto dos papéis.
Raízen (RAIZ4): alavancagem e queima de caixa preocupam
No caso da Raízen (RAIZ4), o JP Morgan é mais cauteloso. A alavancagem estimada em 4,0 vezes no quarto trimestre de 2026 e a queima de caixa recorrente seguem como os principais riscos da tese.
Atualmente, Shell e Cosan avaliam, junto ao BTG Pactual, uma capitalização que pode chegar a R$ 10 bilhões, segundo a Bloomberg. Porém, o JPMorgan considera que o valor necessário pode ser maior.
Nesse sentido, o banco trabalha com um cenário de aumento de capital de até R$ 18 bilhões, o que permitiria reduzir a alavancagem para 2,5 vezes e aliviar a pressão sobre o balanço.
Açúcar, etanol e o peso do mercado
Além das questões financeiras, o ambiente operacional também pesa. O JP Morgan projeta preços mais fracos para açúcar e etanol, em função do excesso de oferta global.
Por outro lado, o banco demonstra maior otimismo com o negócio de distribuição de combustíveis em 2026. Isso ocorre, principalmente, pelo combate do governo à sonegação fiscal no setor.
Ainda assim, os analistas reforçam que, no curto prazo, a necessidade de capitalização deve continuar pressionando o sentimento dos investidores em relação à Raízen.
Reestruturação pode aliviar o longo prazo
Apesar do cenário desafiador, a Raízen passa por uma profunda transformação operacional. Segundo o JP Morgan, o plano deve gerar economia anual superior a R$ 500 milhões.
No longo prazo, essa redução de custos pode representar até R$ 10 bilhões, ajudando na diminuição da dívida bruta e no foco nos ativos principais da companhia.
Mesmo assim, o banco reforça que o risco permanece elevado, o que justifica a manutenção da recomendação neutra para o papel.