Ajuste operacional

Klabin (KLBN11) desacelera no 4T25, corta dívida e mercado ignora melhora financeira

Após trimestre recorde, companhia entra em fase de acomodação operacional, avança na desalavancagem, mas ação segue pressionada na Bolsa.

Klabin
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  • Klabin (KLBN11) entra em fase de acomodação no 4T25 após trimestre recorde.
  • Celulose sustenta resultados, enquanto papel e embalagens desaceleram.
  • Desalavancagem avança, mas melhora ainda não se reflete na ação.

A Klabin (KLBN11) deve encerrar o 4T25 com desempenho operacional mais fraco na comparação trimestral, após um terceiro trimestre considerado excepcional. Segundo a Genial Investimentos, o movimento reflete uma normalização dos volumes, especialmente em papel e embalagens.

Ainda assim, a casa destaca que o trimestre consolida uma melhora estrutural na alavancagem financeira, embora esse avanço ainda não tenha sido precificado pelo mercado. Os resultados serão divulgados em 11 de fevereiro, antes da abertura do pregão.

Papel e embalagens perdem fôlego após pico no 3T25

No segmento de kraftliner, os embarques devem somar 157 mil toneladas, queda de 4% frente ao trimestre anterior, apesar da alta anual de 14,5%. Segundo a Genial, o recuo ocorre após exportações atipicamente fortes no 3T25.

O preço médio deve cair levemente para R$ 3.789 por tonelada, refletindo mudança no mix geográfico, com maior exposição a mercados como China, Índia e Equador. Ainda assim, a estratégia sustenta volumes elevados no acumulado do ano.

Já em paperboard, os embarques estimados são de 206 mil toneladas, queda de 2,8% no trimestre. O preço médio deve permanecer praticamente estável, em R$ 5.643 por tonelada, sustentado por contratos indexados à inflação.

Celulose sustenta resultado e amortece trimestre

Na divisão de celulose, os volumes de BHKP devem ficar estáveis em 293 mil toneladas, mesmo com paradas programadas. O preço médio deve subir 2,8%, para R$ 2.955 por tonelada, apoiado por repasses e melhora parcial da curva na China.

Por outro lado, BSKP e celulose fluff devem registrar queda de volumes e preços, com vendas estimadas em 103 mil toneladas e preço médio de R$ 5.157 por tonelada, recuo de 5,4% no trimestre.

Desse modo, segundo a Genial, o avanço da BHKP praticamente compensa a fraqueza das demais fibras, mantendo o Ebitda da divisão de celulose relativamente estável.

Caixa, dívida e avaliação da ação

O fluxo de caixa livre deve ficar próximo de zero no trimestre, em torno de R$ 70 milhões, pressionado por um Capex de R$ 1,1 bilhão.

Ainda assim, a conclusão do Plateau Project e a monetização de ativos florestais devem gerar mais de R$ 1,5 bilhão em caixa.

Com isso, a alavancagem deve cair para cerca de 3x dívida líquida/Ebitda ao fim de 2025. Apesar do avanço financeiro, a Genial avalia que o mercado segue tratando a ação apenas como aposta em câmbio e celulose.

Por fim, a casa mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 23,50, o que indica potencial de alta de 22% frente às cotações atuais.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.