Renda turbinada

Lucros escondidos? Essas ações entregam dividendos maiores que a Selic de 15%

Mesmo com juro básico em 15%, empresas surpreendem com retornos acima de 60% em 12 meses.

Dividendos
Dividendos
  • Ações como SYNE3, SCAR3 e VULC3 entregaram dividend yields acima da Selic de 15%.
  • Seleção cuidadosa continua essencial, já que retornos muito altos podem ser pontuais.
  • Dividendos extraordinários devem crescer até dezembro, impulsionados pela mudança tributária de 2026.

O avanço da Selic para 15% manteve a renda fixa no foco do mercado, contudo, um grupo selecionado de empresas listadas entregou dividend yields muito acima dos juros. Embora o cenário favoreça aplicações conservadoras, investidores atentos encontram retornos relevantes na bolsa.

Nos últimos 12 meses, companhias de setores diversos pagaram dividendos superiores ao nível da taxa Selic, com resultados que chegam a superar 60%. Os dados, compilados pela Economática, mostram o desempenho de negócios que se destacaram mesmo em um ano de forte aperto monetário.

Ações que superaram a Selic com folga

As empresas SYNE3, SCAR3, ALLD3, VULC3, MBRF3, LAVV3, UNIP6, ALPA4, POMO3, TRIS3, MTRE3 e AXIA3 lideram o ranking de dividendos, com retornos que ultrapassam desde 15% até mais de 60% em 12 meses. Esses papéis, apesar de atuarem em segmentos distintos, chamam atenção pela intensidade dos repasses ao acionista.

Além disso, o levantamento considerou companhias com média de negociação superior a R$ 1 milhão por dia, o que reforça a liquidez desses ativos. Mesmo assim, investidores precisam avaliar a consistência desses pagamentos, já que parte desse retorno ocorre por eventos extraordinários.

Ainda assim, o desempenho expressivo indica uma janela de oportunidades especialmente relevante enquanto a Selic segue elevada. O movimento não anula a cautela, mas amplia o espaço para estratégias mais seletivas dentro da bolsa.

Dividendos extraordinários devem crescer até o fim do ano

Com a mudança na tributação de lucros para 2026, analistas esperam um salto nos dividendos extraordinários até dezembro. Empresas com reservas robustas têm antecipado distribuições para garantir isenção ainda neste ano, movimento que tende a acelerar nas próximas semanas.

Segundo especialistas, essa antecipação pode elevar o dividend yield médio do Ibovespa para 7% a 8%, acima dos 6,5% esperados para 2026. Isso reforça o atrativo de empresas com caixa forte, baixa dívida e histórico consistente de distribuição.

Por outro lado, mesmo com a Selic elevada, analistas afirmam que o retorno em dividendos deve ser comparado ao juro real. Dessa forma, parte relevante das companhias segue atrativa, já que entrega rendimento compatível ou superior ao ganho ajustado pela inflação.

Seleção é essencial para capturar retornos maiores

Embora seja possível encontrar dividend yields acima de 15%, analistas alertam que esse patamar não é comum. Em muitos casos, ele surge devido à queda acentuada no preço das ações ou a eventos pontuais. Assim, o investidor deve olhar para o retorno total, somando dividendos e eventual valorização (ou desvalorização) dos papéis.

De maneira geral, especialistas recomendam observar fatores como geração de caixa, endividamento, payout, consistência nos resultados e sensibilidade aos juros. Essas variáveis ajudam a identificar se o dividendo é sustentável ou apenas esporádico.

Mesmo assim, a estratégia de dividendos permanece sólida. Este ano mostrou que a diversificação entre renda fixa e variável fortalece o portfólio, já que o Ibovespa sobe mais de 30% e o IDIV avança mais de 25%, apesar da Selic elevada.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.