
- MBRF3 caiu mais de 8% por dois dias após saltar 36% em seis pregões.
- A correção combina realização forte, alta demanda por aluguel e rumores não confirmados.
- Setor cai junto, e casas mantêm visão dividida sobre o potencial do papel.
A MBRF (MBRF3) virou o centro das atenções do mercado após registrar um rali de 36% em apenas seis pregões. Porém, depois da euforia, a ação entrou em queda livre e acumulou duas sessões seguidas de forte baixa, superando 8% tanto na terça quanto nesta quarta-feira (19).
Ao mesmo tempo, o setor de proteínas recua de forma generalizada. Minerva (BEEF3) cai mais de 4%, enquanto JBS (JBSS32) opera no vermelho em Nova York. O movimento reforça a leitura de que o mercado recalibra expectativas após a disparada recente.
Realização forte pressiona MBRF3 e frigoríficos
Analistas afirmam que parte da queda reflete um movimento clássico de realização depois do rali acelerado pós-3T25. Assim, investidores que surfaram a alta usam a correção para embolsar lucros, o que amplia a volatilidade do papel.
Além disso, rumores sobre um possível fluxo comprador do controlador contribuíram para alimentar a especulação ao longo da última semana. Embora a tese tenha circulado no mercado, não houve confirmação oficial, o que adicionou incerteza e ajudou na reversão.
Enquanto isso, o setor como um todo enfrenta pressão. As perdas de BEEF3 e JBSS32 reforçam que a aversão momentânea ao risco impacta todas as proteínas listadas, especialmente aquelas que já vinham em alta acentuada.
Aluguel elevado mostra divisão do mercado sobre MBRF3
A MBRF3 segue entre as ações mais alugadas do Ibovespa. A Ágora Investimentos destacou recentemente que a taxa atingiu 23,93%, ficando atrás apenas de HAPV3 e RAIZ4. Essa demanda por aluguel indica um interesse crescente em posições vendidas, o que pressiona ainda mais o preço.
Operações de aluguel funcionam como uma aposta contra o papel. O investidor aluga a ação, vende no mercado e espera recomprar mais barato. Quanto maior a procura pelo aluguel, maior é a taxa cobrada, o que confirma a pressão vendedora sobre a MBRF.
Nesse cenário, o mercado permanece dividido. Das 10 casas que cobrem MBRF3, 4 recomendam compra, 5 são neutras e 1 indica venda, segundo o compilado da LSEG.
Casas revisam leitura e apontam espaço limitado para avanço
O Goldman Sachs mantém recomendação de compra, destacando fundamentos ainda sólidos para o curto prazo. Já XP e Bradesco BBI adotam postura mais cautelosa, com recomendação neutra.
O BBI reforça que a MBRF3 negocia com prêmio em relação aos pares, o que reduz o espaço para novas altas. Além disso, a possível desaceleração do ciclo de aves pressiona o setor como um todo e limita o momentum positivo.
A XP prefere aguardar mais clareza sobre impactos de recompra de ações, aumento de participação na BRF, pagamento de direitos de retirada e dividendos. Para a casa, o conjunto de variáveis ainda exige cautela antes de uma nova tomada de posição.