
- MBRF (MBRF3) teve preço-alvo reduzido pelo JPMorgan após o 1T26
- Banco vê recuperação mais lenta da operação nos Estados Unidos
- Alavancagem continua como principal preocupação para investidores
A MBRF (MBRF3) voltou ao radar negativo de bancos internacionais após o resultado do primeiro trimestre de 2026 levar analistas a revisarem projeções para baixo. O JPMorgan manteve recomendação de compra para as ações, mas reduziu o preço-alvo de R$ 24,50 para R$ 21,50.
Segundo o banco, a companhia entregou números acima do esperado no trimestre. Ainda assim, o cenário para os próximos anos ficou mais desafiador diante da recuperação mais lenta da operação nos Estados Unidos e do impacto do câmbio mais favorável ao real.
Recuperação nos EUA deve demorar mais
O principal ajuste aconteceu nas projeções para a National Beef, operação americana da companhia.
O JPMorgan agora projeta margem EBITDA de apenas 1,1% em 2026, avançando para 2,5% em 2027 e chegando a 5,5% apenas em 2028.
Na avaliação do banco, fatores como retenção ainda moderada de fêmeas, seca nas pastagens e maior concorrência da carne importada devem manter as margens pressionadas por mais tempo.
Com isso, o banco reduziu sua projeção de EBITDA ajustado para 2026 em 2%, para R$ 13,2 bilhões. Para 2027, o corte foi de 7%, para R$ 13,1 bilhões.
BRF ajuda a sustentar operação
Apesar das dificuldades nos Estados Unidos, os analistas seguem enxergando maior estabilidade nas operações ligadas à BRF e à carne bovina na América do Sul.
Segundo o relatório, os volumes de alimentos processados começaram a mostrar recuperação ao longo do trimestre, enquanto o segmento de frango in natura passou a operar em ambiente mais equilibrado entre oferta e demanda.
Além disso, os preços do frango subiram em ritmo de dois dígitos desde o início do conflito envolvendo o Irã, ajudando a compensar custos logísticos maiores.
Alavancagem ainda preocupa mercado
O JPMorgan também destacou que a dívida segue como um dos principais riscos da tese de investimento.
O banco projeta relação dívida líquida/EBITDA de 3,3 vezes no fim de 2026, podendo chegar perto de 4 vezes ao incluir recebíveis e linhas ligadas à cadeia de fornecedores.
Mesmo sem enxergar risco imediato de liquidez, os analistas avaliam que a companhia precisará desacelerar investimentos para reduzir o endividamento nos próximos anos.
Enquanto isso, o Bank of America manteve recomendação neutra para os papéis e preço-alvo de R$ 23.