
- Mercado Livre deve capturar 6,5% de seu GMV em farmácias até 2030
- RD pode ter até 3,3 pontos de pressão em margens brutas
- Consolidação do setor favorece redes e ameaça farmácias independentes
A entrada do Mercado Livre (MELI34) no setor farmacêutico brasileiro deve reconfigurar o varejo de medicamentos. Segundo o Itaú BBA, a gigante do e-commerce tem potencial de, já em 2025, movimentar sozinha um volume bruto de mercadorias (GMV) maior que todo o mercado nacional de remédios.
A estimativa é que, até 2030, a categoria farma represente 6,5% do GMV do Mercado Livre. O avanço, no entanto, acende um alerta para a Raia Drogasil (RADL3), líder do setor com as marcas Droga Raia e Drogasil, que pode ver suas margens pressionadas nos próximos anos.
Pressão em margens da RD
De acordo com o Itaú BBA, a margem bruta da RD pode encolher até 2 pontos percentuais apenas em medicamentos OTC e Rx.
Assim, quando somados os impactos em higiene pessoal e beleza (HPC), a redução total pode chegar a 3,3 pontos percentuais, contra os atuais 27,3% nos últimos 12 meses até o 2T25.
Desse modo, a maior pressão viria da necessidade de baixar preços para enfrentar a concorrência online, repetindo o que já aconteceu no setor de HPC, onde margens foram comprimidas pela competição digital.
Mercado em transformação
O segmento de medicamentos isentos de prescrição (OTC) deve ser a porta de entrada do Mercado Livre. Essa categoria movimentou US$ 8,5 bilhões em 2024, já tem 26% de penetração online no Brasil e margens próximas de 35%. A projeção é que o OTC alcance US$ 2 bilhões em GMV no MELI até 2030.
Além disso, no mercado de prescrição (Rx), que somou US$ 18,5 bilhões em 2024, a participação online deve dobrar para 30% até 2030, com o Mercado Livre capturando cerca de 25%.
Portanto, nesse segmento a aposta recai sobre medicamentos de uso crônico, que respondem por até 60% do Rx e são mais sensíveis a preço.
Espaço para consolidação
O Itaú BBA avalia que a RD Saúde pode compensar perdas. Ela deve ganhar espaço sobre farmácias independentes, que apresentam baixa produtividade e margens apertadas.
Ademais, esses pequenos players ainda representam 17% do setor, mas devem perder entre 25% e 45% do mercado até 2030, abrindo espaço para as grandes redes.
Desde 2014, os independentes já perderam 13 pontos de participação, e a RD absorveu mais da metade desse volume. Por fim, a tendência é que o movimento se acelere com a digitalização.