
- Operação europeia receberá € 50 milhões e aguarda licença da MiCA
- Mercado Bitcoin contrata Lucas Lopes, ex-Experian, para impulsionar o B2C
- Meta é elevar participação do varejo a 50% da receita e chegar a 25 milhões de clientes
O Mercado Bitcoin iniciou um novo ciclo ao contratar Lucas Lopes, executivo com longa passagem pela Experian, para comandar a operação brasileira. A empresa quer transformar o B2C em protagonista da receita, reduzir a exposição ao trading e criar uma base de produtos mais previsível e escalável.
A troca muda a hierarquia interna: Reinaldo Rabelo deixa o comando no Brasil e assume a operação europeia, que receberá € 50 milhões em investimentos. Ambos estarão sob a liderança de Roberto Dagnoni, chairman da 2TM, controladora do MB.
MB aposta em B2C para destravar novo ciclo de crescimento
A chegada de Lopes ocorre em um momento decisivo para o Mercado Bitcoin. A companhia quer tornar a plataforma a principal porta de entrada dos brasileiros no universo cripto, o que exige expansão do varejo digital. A estratégia marca um retorno ao foco no usuário final após anos de crescimento atrelado à tokenização e à oferta corporativa.
Para acelerar essa frente, o novo CEO pretende reforçar a experiência do usuário no aplicativo, ampliando funcionalidades e simplificando jornadas. Além disso, o MB quer investir em conteúdo educativo, com foco em atrair novos investidores que ainda enxergam o mercado cripto como complexo. A iniciativa deve ampliar a base de usuários e aumentar o ticket médio.
O movimento não ocorre isoladamente. A companhia vê espaço para reposicionar o portfólio e equilibrar as fontes de receita. Hoje, cerca de 30% do faturamento vem do B2C, enquanto o restante está no trading. Lopes quer elevar o B2C para 50% antes de 2030, uma das metas mais ambiciosas desde a fundação da empresa.
Veterano da Experian chega com histórico de escalar negócios
Com 14 anos de Experian, Lopes tem experiência direta em expansão de produtos digitais e reposicionamento de modelos de negócio. No Brasil, ele ocupou a posição de CTO da Serasa, onde ajudou a desenvolver caminhos alternativos de monetização. Em 2022, assumiu em Londres o posto de chief product officer da Experian para as unidades de D2C e B2B.
O executivo liderou a migração da Experian para uma estratégia menos dependente do score de crédito, que enfrentava novas ofertas gratuitas de concorrentes. Nesse processo, ajudou a lançar um marketplace financeiro e ferramentas antifraude, criando novas linhas de receita. A experiência reforça a aposta do Mercado Bitcoin em um perfil voltado à inovação e escalabilidade.
Segundo Lopes, sua missão no MB é aplicar a mesma lógica de crescimento acelerado utilizada na Experian. Ele afirma que produtos foram escalados “de zero para US$ 100 milhões em cinco anos”, resultado que agora pretende replicar na área de varejo da plataforma. A expectativa interna é que essa abordagem acelere a consolidação do ecossistema cripto no País.
Expansão internacional e novo posicionamento estratégico
Enquanto Lopes assume o Brasil, Rabelo passa a comandar o avanço na Europa. A operação recebeu autorização do Banco de Portugal e aguarda a licença da MiCA, que regula o mercado de criptoativos na União Europeia. Nesse sentido, a compra da CriptoLoja, em 2022, abriu espaço para a estratégia que agora ganha reforço de capital.
Sendo assim, a internacionalização inclui ampliar o portfólio local com produtos brasileiros, especialmente o MB One Internacional, que permite a clientes private manter contas ativas em dois países simultaneamente.
Além disso, o recurso deve fortalecer a presença no público de alta renda e criar novas rotas de monetização. A companhia também pretende aumentar a oferta de crédito com bitcoin como garantia, ampliando serviços financeiros no ecossistema.
A ambição da 2TM é clara: chegar a 25 milhões de clientes no Brasil até 2030, hoje são 4 milhões, e multiplicar o faturamento em dez vezes. Além disso, o grupo projeta alcançar R$ 400 bilhões em volume transacionado no País nesse período. Em suma, as metas reforçam o tamanho do desafio que o novo CEO assume no segmento B2C.