
- Natura (NATU3) decepcionou o mercado com prejuízo de R$ 119 milhões e EBITDA 34% menor.
- Alavancagem e geração de caixa fraca seguem preocupando analistas e investidores.
- Bancos esperam melhora lenta e recomendam cautela com as ações no curto prazo.
A Natura (NATU3) encerrou o terceiro trimestre de 2025 com desempenho muito abaixo das já modestas previsões do mercado. O balanço, divulgado nesta terça-feira (11), provocou forte reação negativa na Bolsa, derrubando as ações em 15,65%, a R$ 7,76.
Para os analistas, o resultado confirmou um trimestre complicado, com queda nas receitas, margens comprimidas e aumento da alavancagem. As operações no Brasil e América Latina continuam pressionadas pela Onda 2 e pelo ambiente macroeconômico desfavorável, ampliando a cautela dos investidores.
Resultado fraco e margens pressionadas
A XP Investimentos classificou os números do 3T25 como fracos, apontando desaceleração nas vendas e desalavancagem operacional. A consultoria destacou o impacto da inflação, do crédito restrito e das dificuldades na integração das unidades da América Latina. O cenário macroeconômico afetou fortemente as operações no Brasil e na Argentina, enquanto o câmbio deteriorou o desempenho regional.
O Itaú BBA também avaliou o resultado como negativo, reforçando que a companhia ficou abaixo das já baixas expectativas. A margem EBITDA caiu 3,5 pontos percentuais, com o indicador ajustado recuando para R$ 577 milhões, 34% menor que o mesmo período de 2024. O prejuízo líquido foi de R$ 119 milhões, ante projeção de lucro de R$ 168 milhões.
Segundo o banco, a deterioração das receitas e margens foi mais intensa que o previsto, o que pode enfraquecer ainda mais a confiança do mercado e adiar uma recuperação dos papéis. A XP e o BBA esperam revisões negativas nas estimativas de lucro, hoje próximas de R$ 1,4 bilhão.
Dívida e geração de caixa preocupam
A Natura encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 4 bilhões e alavancagem de 2,9 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses. O índice reflete um desempenho operacional fraco e geração de caixa negativa de R$ 47 milhões, mesmo excluindo recompra de ações.
O JPMorgan destacou que o aumento da alavancagem limita a capacidade da empresa de realizar distribuições de caixa, especialmente diante de uma geração estagnada. O Goldman Sachs observou que a operação principal da marca no Brasil apresentou vendas estagnadas, enquanto a Avon segue com desempenho negativo em toda a América Latina.
Embora a venda da Avon International ao fundo Regent reduza riscos estruturais, analistas afirmam que a conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2026 ainda gera incerteza. Caso o processo atrase, a empresa pode precisar de suporte adicional de liquidez, segundo o Itaú BBA.
Perspectivas e desafios à frente
Olhando adiante, analistas da XP e do BBI avaliam que o quarto trimestre deve manter o tom desafiador, com apenas leve melhora sequencial. A maturação da Onda 2 em mercados como México e Argentina pode gerar ganhos de eficiência, mas os resultados sustentáveis ainda dependem da recuperação de margens e geração de caixa.
O BBI ressaltou que o 4T25 não deve ser um ponto de virada para o crescimento, embora a companhia tenha reafirmado a meta de expansão da margem anual de EBITDA. Já o Morgan Stanley destacou que, apesar do discurso otimista da gestão, o trimestre foi bastante desafiador em meio à combinação de custos altos e desaceleração do consumo.
Para o Itaú BBA, o potencial de valorização das ações segue limitado até que a Natura prove melhora consistente em rentabilidade e execução estratégica. O banco reiterou recomendação equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 13, enquanto o BBI manteve R$ 17. Já o Goldman Sachs e o JPMorgan permanecem neutros, com alvos de R$ 13 e R$ 10,50, respectivamente.