
- Natura (NATU3) entra em 2026 focada em Brasil e América Latina, após vender ativos globais.
- Acordo de acionistas, válido até março de 2026, segue no radar dos investidores.
- Mercado vê valor, mas cobra execução e crescimento consistente nos próximos trimestres.
A Natura&Co (NATU3) inicia 2026 com uma estrutura mais simples e foco total em Brasil e América Latina, após concluir a venda da Avon International e encerrar o ciclo de expansão global iniciado anos atrás.
Com isso, a empresa busca recuperar o perfil que marcou sua trajetória: crescimento, geração de caixa e pagamento de dividendos, agora sem ativos deficitários que pressionavam o balanço.
Fim da expansão global
Desde 2022, a Natura promoveu desinvestimentos relevantes, incluindo a venda da Aesop e da The Body Shop em 2023. Em 2025, a companhia finalmente se desfez da Avon International, operação presente em mais de 30 países e considerada um erro estratégico pelo mercado.
Com a mudança, a Avon passa a representar apenas 20% a 25% da receita, enquanto a marca Natura ganha protagonismo e segue ampliando participação de mercado, segundo investidores.
Apesar disso, o mercado ainda pede cautela. A Natura vale R$ 10,8 bilhões na Bolsa, cerca de 8 vezes o lucro, bem abaixo dos pares globais, que negociam entre 15x e 20x.
Mercado dividido sobre a tese
Para gestores mais otimistas, o cenário está mais limpo e a ação parece subavaliada.
Já investidores mais céticos avaliam que ainda há um turnaround operacional em curso, especialmente nas operações herdadas da Avon na América Latina.
No terceiro trimestre, a marca Natura não cresceu, enquanto a Avon apresentou quedas relevantes de receita em alguns mercados.
Por isso, parte do mercado espera três ou quatro trimestres consecutivos de resultados sólidos antes de revisar a tese.
Acordo de acionistas gera ruído
Outro ponto de atenção é o acordo de acionistas, que reúne famílias fundadoras com 38,8% do capital.
O contrato vem sendo prorrogado e agora vence em março de 2026, o que gera dúvidas entre analistas.
A administração afirma que não há intenção de venda da companhia e que os fundadores desejam manter o controle.
Segundo o CEO João Paulo Ferreira, as prorrogações são burocráticas e não alteram a estrutura societária.