
- Novas regras do FGC entram em vigor em junho
- Bancos médios terão exigências maiores de liquidez
- CDBs com rentabilidade agressiva devem ficar mais raros
As novas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começam a entrar em vigor em junho e prometem mudar significativamente o mercado de bancos médios e de investimentos em CDBs.
As alterações foram aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) após perdas bilionárias envolvendo instituições financeiras nos últimos meses.
FGC endurece regras para bancos
A principal novidade envolve a criação do chamado Ativo de Referência (AR).
Além disso, a nova regra passa a considerar qualidade, transparência e diversificação dos ativos mantidos pelos bancos.
Na prática, instituições que captarem recursos garantidos pelo FGC acima do limite permitido precisarão direcionar parte do dinheiro para títulos públicos federais.
Medidas miram risco excessivo
Segundo especialistas, as mudanças buscam reduzir o chamado risco moral no sistema financeiro.
O objetivo é impedir estratégias agressivas de crescimento baseadas apenas na proteção oferecida pelo FGC.
O tema ganhou força principalmente após os episódios envolvendo o Banco Master.
Bancos menores terão mais exigências
O CMN também ampliou exigências de liquidez para instituições financeiras menores.
Enquanto isso, novos indicadores passarão a exigir maior capacidade de enfrentar períodos de estresse financeiro.
As regras terão implementação gradual até 2027.
CDBs agressivos podem desaparecer
Um dos efeitos mais esperados envolve a redução da oferta de CDBs com rentabilidades muito acima da média do mercado.
Segundo analistas, produtos que pagavam mais de 140% do CDI devem ficar mais raros devido ao aumento do custo regulatório para os bancos.
Além disso, instituições podem passar a priorizar títulos com vencimentos mais longos para estabilizar liquidez.
Mercado vê mais segurança ao investidor
Apesar das mudanças pressionarem alguns modelos de negócio, especialistas avaliam que as medidas aumentam a segurança para investidores de renda fixa.
Enquanto isso, o setor financeiro também pode passar por consolidação envolvendo fusões e aquisições entre bancos menores e maiores.
O FGC já desembolsou cerca de R$ 57,4 bilhões em operações ligadas a crises recentes no sistema financeiro.