Abaixo das expectativas

Oferta bilionária não evita nova crise: Novo Nordisk corta projeções e perde terreno para rivais

Lucros fracos, guidance reduzido e pressão da Eli Lilly derrubam desempenho da farmacêutica e reacendem alerta sobre o “efeito Ozempic”.

Oferta bilionária não evita nova crise: Novo Nordisk corta projeções e perde terreno para rivais
  • Novo Nordisk corta guidance pela quarta vez e registra lucros abaixo das expectativas.
  • Oferta de US$ 10 bilhões pela Metsera supera a da Pfizer em 23%, mas não resolve fraqueza estrutural.
  • Concorrência da Eli Lilly pressiona GLP-1 e derruba confiança no “efeito Ozempic”.

A Novo Nordisk reduziu suas projeções de crescimento para 2025 e entregou resultados abaixo do esperado, aprofundando as dúvidas sobre a força de Ozempic e Wegovy no mercado global de obesidade. A empresa revelou queda no lucro e crescimento mais lento das vendas, enquanto enfrenta concorrência agressiva da Eli Lilly.

Apesar de lançar uma nova oferta de US$ 10 bilhões pela startup Metsera, superando a proposta de US$ 8,1 bilhões da Pfizer, a farmacêutica dinamarquesa ainda lida com a perda de mais de 50% no valor de mercado neste ano.

Concorrência aperta e resultados decepcionam

A companhia informou que a receita deve crescer apenas 11% este ano, com lucro operacional avançando no máximo 7%, números bem abaixo das estimativas iniciais, que chegavam a 24% e 27% no início do ano. O desempenho fraco provocou nova redução de guidance, a quarta do ano.

Os lucros do último trimestre caíram para 23,7 bilhões de coroas (US$ 3,6 bilhões), e as vendas ficaram aquém do previsto, marcando o crescimento mais lento desde 2021. Analistas apontaram que a expansão global dos medicamentos GLP-1 desacelerou visivelmente.

A Eli Lilly, em contraste, elevou seu guidance e superou expectativas de vendas, reforçando o avanço de concorrentes sobre o mercado dominado pela Novo. O Morgan Stanley observou que o desempenho internacional da Lilly começa a espelhar o sucesso visto nos EUA.

Pressão estratégica e busca por novas apostas

Diante do cenário adverso, o novo CEO, Mike Doustdar, demitiu 11% da equipe e reforçou a estratégia de fusões para recuperar liderança.

A compra da Metsera, ainda sem medicamentos no mercado, tornou-se prioridade após promessa de potencial tecnológico no segmento de obesidade.

O conselho da startup classificou a oferta da Novo como “melhor negócio”, permitindo que a empresa desbancasse o acordo anterior da Pfizer. A disputa elevou o valor da Metsera e acirrou ainda mais a corrida por novos tratamentos.

Enquanto isso, a Novo tenta reposicionar sua estratégia apostando em uma versão em pílula do Wegovy, após um ensaio experimental de injeção de nova geração falhar em entregar a perda de peso anunciada.

Setor GLP-1 mostra sinais claros de desaceleração

O ingrediente ativo de Ozempic e Wegovy, que imita o hormônio GLP-1, segue dominante no mercado, mas a competição crescente pressiona preços, margens e expansão regional.

Ozempic enfrenta concorrência crescente que pressiona preços, margens e a expansão global dos GLP-1, segundo analistas.

Segundo analistas da Bloomberg Intelligence, o desempenho da Novo contrasta fortemente com o da rival.

Para a Intron Health, os números foram “muito fracos”, reforçando a leitura de que a expansão global dos GLP-1 esfriou.

A empresa admite que a concorrência mais intensa e a perda de fôlego do mercado estão pesando em todas as regiões.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.