
- Oncoclínicas (ONCO3) busca reestruturar R$ 5,1 bilhões em dívidas por meio de recuperação extrajudicial.
- JPMorgan alerta que conversão de dívidas em ações pode provocar forte diluição dos atuais acionistas.
- XP atribui a crise ao ciclo de aquisições, juros elevados, queda na geração de caixa e perdas ligadas ao Banco Master.
A Oncoclínicas (ONCO3) iniciou nesta semana um processo de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. Embora a medida busque estabilizar a companhia e preservar suas operações, analistas alertam que os atuais acionistas podem enfrentar uma forte diluição caso o plano seja aprovado.
Na avaliação do JPMorgan, a reestruturação é necessária para resolver os problemas de alavancagem e liquidez da empresa, mas tende a reduzir significativamente o valor remanescente para os acionistas.
Bancos veem risco elevado de diluição
O plano apresentado pela companhia prevê alternativas como aporte de capital pelos acionistas, conversão de dívidas em ações, emissão de novas obrigações financeiras e alongamento dos vencimentos.
Segundo o JPMorgan, a eventual entrada da IG4 como investidora poderia facilitar as negociações com os credores e fortalecer o caixa da empresa. Ainda assim, o banco ressalta que o passivo de R$ 5,1 bilhões supera em várias vezes o valor de mercado da Oncoclínicas, atualmente inferior a R$ 1 bilhão.
Na prática, isso aumenta a probabilidade de que parte relevante das dívidas seja convertida em participação acionária, reduzindo a fatia dos investidores atuais. Por esse motivo, o JPMorgan mantém recomendação equivalente à venda para ONCO3.
Como a companhia chegou a esse cenário
Segundo a XP Investimentos, a deterioração financeira da Oncoclínicas resulta de um conjunto de fatores acumulados nos últimos anos.
Entre eles estão o forte ciclo de aquisições, investimentos em novos hospitais, aumento das despesas financeiras em meio aos juros elevados e mudanças na política comercial, que reduziram a escala operacional e pressionaram as margens.
A situação foi agravada pela exposição ao Banco Master, onde a companhia mantinha mais de R$ 430 milhões aplicados. Com a liquidação extrajudicial da instituição, a empresa perdeu acesso imediato aos recursos, reduzindo sua liquidez.
No fim de 2025, a dívida bruta alcançava R$ 3,3 bilhões, enquanto cerca de 98% desse montante passou a vencer no curto prazo após o descumprimento de cláusulas financeiras. O auditor independente também destacou incertezas relevantes sobre a continuidade operacional da companhia.