
- O ouro segue sustentado perto dos US$ 4.100 por onça-troy.
- A tensão entre EUA e Irã aumenta a procura por ativos de proteção.
- Petróleo caro e juros elevados nos EUA limitam uma nova disparada do metal.
O ouro à vista segue sustentado na região de US$ 4.100 por onça-troy, em um mercado dividido entre o aumento da tensão geopolítica e a perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos.
Enquanto o conflito entre EUA e Irã reforça a busca por ativos de proteção, a alta do petróleo reacende preocupações com a inflação americana. Com isso, investidores reduzem as apostas em uma política monetária mais branda pelo Federal Reserve (Fed).
Ouro fica preso entre medo geopolítico e juros americanos
Segundo Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas, o comportamento do metal mostra forças opostas atuando sobre os preços. A tensão geopolítica impede uma queda mais forte, porém o cenário monetário americano limita uma nova arrancada.
“O movimento do ouro à vista hoje mostra um mercado dividido. De um lado, a tensão entre Estados Unidos e Irã aumenta a procura por ativos de proteção e impede uma queda mais forte do metal. De outro, a alta do petróleo reacende o risco de inflação nos Estados Unidos e reduz a chance de uma política monetária mais branda pelo Federal Reserve”, afirma Cavalcante.
Nesse cenário, o especialista destaca que a região dos US$ 4.100 ganhou importância para o mercado. O patamar funciona como uma zona de equilíbrio entre a procura por segurança e o custo de oportunidade provocado pelos juros elevados.
O que pode fazer o ouro voltar a disparar?
O ouro costuma ganhar força em momentos de instabilidade, inflação e deterioração das perspectivas para a economia global. No entanto, como o metal não paga juros, os títulos do Tesouro americano se tornam concorrentes mais atraentes quando oferecem retornos elevados.
Por isso, Cavalcante avalia que o movimento atual não representa uma perda de relevância do ouro. Em vez disso, o mercado atravessa um período de pausa, realização de lucros e ajuste de preços, enquanto investidores aguardam novos sinais.
Uma nova alta mais consistente pode depender de gatilhos como a queda dos juros reais nos Estados Unidos, o enfraquecimento do dólar ou uma escalada geopolítica. Até lá, a tendência é de disputa em torno dos US$ 4.100, com o medo sustentando o metal e os juros limitando seu avanço.