
- Petrobras planeja nova unidade flutuante, que pode elevar a produção total para 2 milhões de barris diários.
- Campo de Búzios atinge 1 milhão de barris por dia, novo recorde da Petrobras (PETR3; PETR4).
- Brasil é o segundo país fora da Opep que mais ampliou produção, atrás dos EUA.
A Petrobras (PETR3; PETR4) atingiu um marco histórico em outubro: o campo de Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, alcançou 1 milhão de barris por dia. O resultado consolida o local como o maior campo marítimo do mundo. O feito ocorreu após a sexta plataforma flutuante (FPSO) atingir a capacidade máxima três meses antes do previsto, ampliando o papel do Brasil no equilíbrio da oferta global de petróleo.
O avanço veio em um momento de queda nos preços internacionais do barril, próximos aos menores níveis dos últimos cinco anos. Mesmo assim, o país se consolidou como o segundo maior produtor fora da Opep, atrás apenas dos Estados Unidos. A estatal usa o bom desempenho de Búzios para sustentar receitas e compensar a pressão de custos e preços menores.
Produção recorde e exportações em alta
A plataforma Almirante Tamandaré atingiu 225 mil barris por dia em agosto e chegou a 270 mil barris diários na última semana. Com seis unidades em plena operação, Búzios já representa 35% da produção nacional.
O projeto é o mais ambicioso da companhia. Petrobras e suas parceiras chinesas pagaram R$ 68 bilhões de bônus de assinatura pelo campo em 2019. Além disso, a operadora SBM Offshore NV, que já atua com nove FPSOs no Brasil, disputa contrato para a 12ª unidade em Búzios. Logo, caso seja aprovada, a produção total poderá alcançar quase 2 milhões de barris por dia, mais do que qualquer país da América Latina.
O desempenho também deve aparecer nos resultados financeiros. O mercado espera US$ 2,2 bilhões em dividendos, segundo estimativas da Bloomberg. Portanto, o valor reflete o recorde de exportações registrado no terceiro trimestre e o impacto positivo da eficiência operacional.
Brasil ganha protagonismo e mercado alerta para excesso de oferta
A forte expansão da produção ocorre em meio à preocupação global com o excesso de oferta. A Mercuria prevê um excedente de até 2 milhões de barris por dia até 2026, diante da ampliação da produção pela Opep e aliados. Mesmo com esse risco, o Brasil mantém o ritmo e segue como motor de crescimento fora da Opep.
O pré-sal reforça a posição do país como principal fornecedor de petróleo da América Latina. Diferente do xisto norte-americano, o modelo brasileiro mantém produção estável mesmo com preços em queda. Ademais, cada FPSO custa cerca de US$ 4 bilhões e leva anos para ficar pronto. Por isso, a Petrobras acelera a extração para recuperar investimentos rapidamente.
Por fim, a presidente Magda Chambriard destacou que o futuro da estatal depende de novas descobertas. Segundo ela, o campo de Búzios pode atingir o pico e começar a declinar até o fim da década. “Uma petroleira não tem futuro sem exploração. Repor nossas reservas é fundamental”, afirmou em evento no Rio.