Energia pressionada

Petrobras (PETR4) ganha com petróleo a US$ 100, mas governo trava potencial, alerta XP

Pacote reduz repasse ao consumidor e limita alta de preços, mesmo com cenário global favorável.

Foto: Divulgação / Petrobras
Foto: Divulgação / Petrobras
  • Petrobras (PETR4) se beneficia do petróleo alto, mas enfrenta limitações do governo
  • Medidas reduzem incentivo para reajustes e podem custar US$ 5,8 bilhões por ano
  • Setor segue forte, com destaque para PRIO (PRIO3) e distribuidoras

A Petrobras (PETR4) segue beneficiada pela alta do petróleo no mercado internacional, porém o conjunto de medidas do governo federal passou a limitar o potencial de valorização da estatal, segundo a XP Investimentos.

Mesmo assim, a corretora destaca que o cenário atual ainda é muito mais positivo do que quando o barril estava próximo de US$ 60, garantindo forte geração de caixa para a companhia.

Governo limita ganhos da Petrobras

O governo adotou ao menos nove medidas para conter a alta dos combustíveis, incluindo subsídios ao diesel, cortes de impostos e novas taxas sobre exportações.

Como resultado, o preço do diesel da Petrobras ficou cerca de 37% abaixo da paridade internacional, diferença que cai para aproximadamente 10% com os subsídios.

Esse modelo cria distorções relevantes. Enquanto importadores capturam até R$ 1,52 por litro, a Petrobras acessa cerca de R$ 1,12, além de perder incentivos caso aumente preços.

Segundo a XP, isso reduz o incentivo econômico para reajustes e pode gerar um impacto de até US$ 5,8 bilhões por ano no fluxo de caixa livre ao acionista.

Mesmo assim, cenário segue positivo

Apesar das limitações, o ambiente segue favorável. Com o Brent ao redor de US$ 100, a XP estima que a Petrobras pode gerar cerca de US$ 20,7 bilhões em caixa anualizado.

Além disso, o setor como um todo se beneficia. Distribuidoras como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) ganham competitividade, já que a defasagem reduz a entrada de combustíveis importados.

Entre as produtoras, a PRIO (PRIO3) aparece como principal destaque, devido à forte exposição ao preço do petróleo e elevada geração de caixa.

Independentes têm ganhos limitados

Por outro lado, empresas como Brava (BRAV3) e PetroRecôncavo (RECV3) capturam menos da alta do petróleo.

Isso ocorre por conta de estratégias de hedge e também pela nova taxação sobre exportações, que reduz parte dos ganhos.

Ainda assim, a XP conclui que o setor segue sólido, com governo, empresas e consumidores dividindo os ganhos do petróleo caro.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.