
- PETR4 divulga resultados nesta quinta (6) com expectativa de Ebitda acima de US$ 11 bilhões.
- Lucro líquido pode recuar, mas dividendos seguem fortes.
- Mercado monitora novo plano estratégico e possíveis mudanças na política de distribuição.
A Petrobras (PETR4) se prepara para divulgar nesta quinta-feira (6), após o fechamento da B3, os resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25). O mercado está de olho em cada número: dividendos, fluxo de caixa e o próximo plano de negócios.
Os investidores esperam queda no lucro líquido, pressionado pelo preço menor do petróleo, mas o desempenho operacional recorde e o caixa forte ainda devem sustentar resultados sólidos. O foco, porém, recai sobre o que a estatal fará com os dividendos daqui para frente.
Produção recorde e fluxo de caixa robusto
No fim de outubro, a estatal divulgou produção total de 3,1 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), o maior volume da história.
O número representa alta de 7,6% em relação ao trimestre anterior e 16,9% sobre o ano passado, impulsionado pelo FPSO Almirante Tamandaré no campo de Búzios e pela entrada em operação das plataformas Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão.
Segundo a XP Investimentos, o desempenho deve garantir Ebitda de US$ 11,4 bilhões, avanço de 11,7% na base trimestral, e lucro líquido de US$ 4,4 bilhões. O banco estima ainda dividendos de US$ 2,2 bilhões, o equivalente a 3% de rendimento para os acionistas.
Os resultados fortalecem o momento operacional da companhia. Eles também elevam as expectativas sobre o equilíbrio entre dividendos e investimentos em transição energética pelo governo.
Bancos projetam resultados acima do esperado
Para o Itaú BBA, a PETR4 deve ser destaque da temporada de resultados, com Ebitda estimado em US$ 11,6 bilhões, alta de 13% em relação ao trimestre anterior.
A análise destaca preços do petróleo 2% mais altos e gestão eficiente da produção. O banco calcula dividend yield de 3,1%, ou US$ 2,2 bilhões em dividendos ordinários.
Além disso, o Bradesco BBI também vê avanço expressivo. A projeção é de Ebitda de US$ 11,17 bilhões, 9% superior ao segundo trimestre, impulsionado por maior produção e preços mais firmes do Brent.
Portanto, mesmo com os números positivos, os analistas destacam que a ausência de reajustes nos combustíveis limitou parte dos ganhos, e o foco agora está em como a estatal planeja seus próximos passos.
Lucro bilionário, mas incerteza política
O Bradesco BBI prevê lucro líquido de US$ 5,4 bilhões e dividendos de US$ 2,1 bilhões, acima dos US$ 1,5 bilhão do trimestre anterior. O resultado é impulsionado pela valorização do real e pelo crescimento operacional.
Ademais, apesar do desempenho financeiro consistente, o mercado mantém cautela. O novo plano estratégico, previsto para o fim de novembro, pode alterar a política de distribuição de lucros e os investimentos em energia renovável.
Por fim, analistas alertam que a Petrobras vive um ponto de inflexão: equilibrar o apetite político por dividendos com o avanço de uma agenda mais sustentável.