
- Petrobras (PETR4) virou fator decisivo para recuperação do açúcar
- Gasolina mais cara pode fortalecer etanol e reduzir oferta global de açúcar
- El Niño e Índia aumentam tensão no mercado internacional da commodity
O mercado global de açúcar passou a depender diretamente da Petrobras (PETR3; PETR4) para tentar recuperar preços após semanas de forte pressão nas commodities. Analistas do setor avaliam que um possível reajuste da gasolina pela estatal pode mudar completamente o cenário do etanol e, consequentemente, do açúcar.
A ligação acontece porque a gasolina mais cara tende a aumentar a competitividade do etanol nos postos. Com isso, usinas poderiam direcionar mais cana para biocombustíveis e reduzir a produção de açúcar, diminuindo a oferta global e sustentando preços internacionais.
Açúcar reage após forte pressão global
Os preços do açúcar acumulam pressão em 2026 diante da expectativa de safra robusta no Brasil e aumento da produção mundial. Além disso, o avanço do etanol de milho ampliou a oferta de combustíveis renováveis e pressionou ainda mais o setor sucroenergético.
Agora, traders monitoram dois fatores centrais: a política de preços da Petrobras e os riscos climáticos na Índia ligados ao El Niño. Qualquer problema na produção indiana pode reduzir a oferta global e acelerar uma recuperação das cotações.
Segundo analistas da StoneX e da FG/A, um reajuste relevante da gasolina poderia praticamente anular parte das expectativas de queda do etanol na nova safra brasileira.
Petrobras ganha influência inédita no setor
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou recentemente que a companhia acompanha de perto a concorrência com o etanol antes de definir novos reajustes nos combustíveis.
O movimento acontece em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio. Esse cenário aumentou a pressão para que a estatal revise os preços da gasolina nas refinarias.
Enquanto isso, usinas e tradings seguem em alerta. Caso o etanol ganhe força novamente, o Brasil pode reduzir o chamado “mix açucareiro”, favorecendo uma recuperação do açúcar após meses de fraqueza no mercado internacional.