Visão mais fraca

PETR4, BRAV3, RECV3: Petroleiras entram em alerta após corte agressivo de projeções do J.P. Morgan para 2026

Banco revisa classificações e acende sinal vermelho para empresas expostas a preços mais fracos de petróleo e gás no próximo ano.

Petróleo, petroleiras
Foto de Kokhanchikov
  • J.P. Morgan cortou expectativas para petróleo e gás em 2026, revisando classificações de várias empresas europeias.
  • Produtoras enfrentam pressão com Brent projetado abaixo de US$ 60; serviços petrolíferos seguem como destaque positivo.
  • Vår Energi é o principal destaque positivo; Aker BP e Harbour Energy perderam recomendação.

O JP Morgan revisou suas perspectivas para o setor de petróleo e gás e surpreendeu o mercado ao adotar uma visão mais fraca para 2026, movimento que mexeu com a percepção sobre empresas europeias de exploração, produção e serviços. Segundo o banco, a combinação entre commodities mais baratas, investimentos em queda e carteiras robustas deve dividir o setor entre vencedores e pressionados.

Ao mesmo tempo, a instituição destacou que, embora algumas produtoras entrem em fases de maior risco e alavancagem, as empresas de serviços petrolíferos carregam carteiras próximas a níveis recordes, fator que sustenta uma visão mais otimista.

Vår Energi ganha destaque enquanto Aker BP perde força

O banco elevou a Vår Energi para overweight, justificando que a companhia entra em 2026 com nove projetos já encaminhados e um ciclo mais leve de investimentos, que deve cair 14% no próximo ano. Além disso, ressaltou a expectativa de forte geração de caixa e o compromisso de US$ 1,2 bilhão em dividendos, com yeld de 15%.

Ainda conforme o J.P. Morgan, o perfil de produção mais estável reduz riscos operacionais e sustenta o potencial de alta de 12% frente ao preço-alvo de NOK 36. A visão contrasta com outras produtoras que enfrentam um cenário mais adverso.

Entre elas está a Aker BP, rebaixada para underweight. A empresa enfrenta queda anual de produção, ciclo de investimentos pesado e preços mais fracos, fatores que aumentam a pressão sobre margens e caixa.

Harbour Energy perde recomendação e M&A vira risco relevante

A britânica Harbour Energy também sofreu um rebaixamento, passando de overweight para neutral. O banco reconheceu que a companhia deve reduzir 20% dos investimentos em 2026, o que ajuda a compensar a queda das commodities. Porém, alertou que possíveis operações nos EUA e a eventual venda da fatia de 47% da BASF adicionam incertezas.

O J.P. Morgan reforçou que a BASF já indicou interesse em monetizar ativos de petróleo e gás, o que poderia gerar volatilidade para a Harbour. O preço-alvo foi definido em 214 pence, com potencial limitado de 4%.

Enquanto isso, a corretora manteve a EnQuest como neutral, destacando crescimento de produção de 7% em 2026, impulsionado por ativos no Vietnã, Malásia e Reino Unido. No entanto, avaliou que fusões e aquisições seriam necessárias para destravar valor adicional.

Serviços petrolíferos seguem como destaque positivo para 2026

Na visão do banco, o segmento de serviços petrolíferos é o mais resiliente dentro do setor. A Saipem foi mantida como overweight, apoiada em uma carteira próxima ao recorde de €31 bilhões, garantindo 94% da receita de 2026 já contratada. O potencial de alta é de 16%, com preço-alvo de €2,82.

A Technip Energies também segue com recomendação overweight, devido à perspectiva de novos contratos relevantes de GNL em 2026 e à compra da Ecovyst AM&C, cuja margem de 25% supera a atual do segmento TPS. Além disso, o banco projeta 34% de upside, com alvo em €44.

Portanto, a Subsea 7 permanece como neutral, apesar da carteira robusta de US$ 13,9 bilhões no 3º trimestre de 2025. O banco acredita que a empresa ainda pode melhorar margens em 2026, embora espere uma possível desaceleração em novos contratos diante de decisões de investimento adiadas.

Pressão no Brent e expectativas sombrias para 2026

Como pano de fundo, o J.P. Morgan reduziu sua premissa de longo prazo para o Brent para US$ 63, projetando que o barril pode ficar abaixo de US$ 60 em 2026 e 2027. Sem cortes de oferta, o superávit global pode chegar a 2,8 milhões de barris por dia, ampliando a pressão sobre os preços.

Ademais, para o mercado europeu de gás, a projeção para o TTF caiu para €28,75/MWh em 2026 e €24,75/MWh em 2027, reforçando o cenário de menor rentabilidade para produtoras.

Por fim, a Aker Solutions segue como underweight, com alvo de NOK 30 e potencial de queda de 4%, impactada por margens menores e cerca de US$ 1 bilhão em desafios de fluxo de caixa.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.