Crise energética

Petróleo pode disparar a US$ 150 com guerra e bloqueio de Ormuz; alerta vem do Catar

Estreito por onde passa cerca de 20% do petróleo global pode travar mercado de energia e pressionar combustíveis no Brasil.

Gallo Images / Copernicus Sentinel 2017/ Orbital Horizon
Gallo Images / Copernicus Sentinel 2017/ Orbital Horizon
  • Petróleo pode atingir US$ 150 se Ormuz permanecer fechado
  • Cerca de 20% do petróleo global passa pelo estreito
  • Combustíveis da Petrobras (PETR4) já estão até 30% abaixo da paridade internacional

A guerra no Oriente Médio elevou drasticamente o risco para o mercado global de energia. O ministro de Energia do Catar, Saad al-Kaabi, afirmou que o petróleo pode chegar a US$ 150 por barril caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado.

Segundo ele, a interrupção do fluxo de navios na região pode “derrubar economias”, já que cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa pelo estreito. Enquanto isso, o Brent já disparou para mais de US$ 90, após ficar na faixa de US$ 70 antes da escalada militar.

Estreito de Ormuz virou epicentro da crise

O risco aumentou depois que o Irã atacou um petroleiro americano, segundo informações da Guarda Revolucionária do país.

Diante da escalada militar, diversos navios passaram a evitar a travessia, considerada uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.

Além disso, dados recentes indicam que o tráfego de petroleiros caiu praticamente a zero, o que elevou o temor de um choque global de energia.

Ao mesmo tempo, 150 embarcações já mudaram de rota e pelo menos cinco sofreram danos, segundo a consultoria de risco Marsh.

Bancos ainda veem choque temporário

Apesar do alerta do Catar, a maioria dos bancos ainda trabalha com um cenário menos extremo.

O Goldman Sachs, por exemplo, projeta exportações muito reduzidas por cerca de cinco dias, elevando sua previsão de Brent para US$ 76 no segundo trimestre.

Mesmo assim, analistas já admitem que uma interrupção prolongada pode levar o barril acima de US$ 100.

Enquanto isso, a China, principal compradora do petróleo da região, tenta negociar com o Irã para garantir a passagem segura de navios.

Pressão também chega à Petrobras

A disparada do petróleo já ampliou a defasagem entre os preços internacionais e os combustíveis no Brasil.

Segundo dados do CBIE, o diesel da Petrobras (PETR4) está cerca de 30% abaixo da paridade de importação, enquanto a gasolina tem defasagem de cerca de 24%.

Mesmo assim, a CEO da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a estatal seguirá evitando repassar volatilidade ao consumidor, mantendo a atual política de preços.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.