
- Petróleo pode atingir US$ 150 se Ormuz permanecer fechado
- Cerca de 20% do petróleo global passa pelo estreito
- Combustíveis da Petrobras (PETR4) já estão até 30% abaixo da paridade internacional
A guerra no Oriente Médio elevou drasticamente o risco para o mercado global de energia. O ministro de Energia do Catar, Saad al-Kaabi, afirmou que o petróleo pode chegar a US$ 150 por barril caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado.
Segundo ele, a interrupção do fluxo de navios na região pode “derrubar economias”, já que cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa pelo estreito. Enquanto isso, o Brent já disparou para mais de US$ 90, após ficar na faixa de US$ 70 antes da escalada militar.
Estreito de Ormuz virou epicentro da crise
O risco aumentou depois que o Irã atacou um petroleiro americano, segundo informações da Guarda Revolucionária do país.
Diante da escalada militar, diversos navios passaram a evitar a travessia, considerada uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Além disso, dados recentes indicam que o tráfego de petroleiros caiu praticamente a zero, o que elevou o temor de um choque global de energia.
Ao mesmo tempo, 150 embarcações já mudaram de rota e pelo menos cinco sofreram danos, segundo a consultoria de risco Marsh.
Bancos ainda veem choque temporário
Apesar do alerta do Catar, a maioria dos bancos ainda trabalha com um cenário menos extremo.
O Goldman Sachs, por exemplo, projeta exportações muito reduzidas por cerca de cinco dias, elevando sua previsão de Brent para US$ 76 no segundo trimestre.
Mesmo assim, analistas já admitem que uma interrupção prolongada pode levar o barril acima de US$ 100.
Enquanto isso, a China, principal compradora do petróleo da região, tenta negociar com o Irã para garantir a passagem segura de navios.
Pressão também chega à Petrobras
A disparada do petróleo já ampliou a defasagem entre os preços internacionais e os combustíveis no Brasil.
Segundo dados do CBIE, o diesel da Petrobras (PETR4) está cerca de 30% abaixo da paridade de importação, enquanto a gasolina tem defasagem de cerca de 24%.
Mesmo assim, a CEO da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a estatal seguirá evitando repassar volatilidade ao consumidor, mantendo a atual política de preços.