
- Gestores divergem entre cautela e novas altas até 2026.
- Ibovespa sobe 29% no ano, mas falta otimismo entre investidores.
- Fluxo estrangeiro e juros em queda sustentam o rali.
O Ibovespa acumula alta de 29% em reais e quase 50% em dólares em 2025. Mesmo assim, o rali segue quase sem comemoração entre investidores brasileiros.
Apesar da valorização, o sentimento é de ceticismo. Muitos gestores consideram que o movimento não faz sentido diante dos problemas fiscais e políticos do país.
Alta com desconfiança
O índice emendou 12 pregões seguidos de alta, o maior ciclo desde 1997. Ainda assim, o mercado reage com frieza, vendo risco de correção. “O bull market menos comemorado que já vi”, afirmou João Braga, da Encore.
Nesse sentido, a força vem de um fluxo externo modesto, cerca de R$ 20 bilhões no ano. Mesmo pequeno, esse volume impulsionou os preços num mercado local com baixa liquidez. Braga disse que o movimento “não tem nada a ver com Lula, Tarcísio ou juro, é fluxo global”.
Portanto, esse dinheiro vem de fundos quantitativos e macro globais, segundo Fernando Ferreira, da XP. Ele afirma que se trata de um “trade global”, e não de aposta em emergentes. Enquanto isso, Chile e México também avançam cerca de 45% em dólares.
Divisão entre gestores
Os gestores se dividem sobre o fôlego da alta. Alguns enxergam espaço para novos ganhos até 2026. Outros, como André Bannwart do UBS, preferem buscar retorno fora do Brasil.
Além disso, Bannwart cita a queda de juros global e o avanço da inteligência artificial nos EUA e na Ásia. Para ele, “o Brasil oferece um retorno de commodity, não tem diferencial”. O gestor acredita que a Bolsa local “vai apenas seguir a onda até as eleições”.
Desse modo, mesmo com otimismo global, o UBS aposta em tecnologia e inovação, não em commodities. O fundo UBS Evolution, com R$ 24 bilhões sob gestão, busca mercados de maior disrupção. Bannwart vê maiores retornos em ações estrangeiras ligadas a IA.
Oportunidades e eleições
Braga acredita que a Bolsa brasileira ainda está barata. Ele argumenta que o mercado ignora o corte dos juros e os bons resultados das empresas. Para ele, até mesmo o “trade eleitoral” está mal precificado.
Ademais, segundo o gestor, o mercado assume 60% de chance de vitória de Lula.
Mas se considerar a hipótese de ele não disputar e um cenário mais equilibrado, o upside aumenta.“Com juros menores e lucros sólidos, as ações ainda podem subir muito”, disse Braga.
Por fim, a possível retomada da confiança pode levar o índice a novos recordes.
Com fluxo estrangeiro contínuo, o Brasil pode se beneficiar de uma rotação global de ativos. Mas o ceticismo interno ainda impede o mercado de comemorar.