
- Raízen (RAIZ4) pode anunciar acordo de reestruturação ainda hoje
- Credores devem converter 45% da dívida em ações e assumir quase 80% da companhia
- Plano inclui aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e divisão da empresa em duas operações
A Raízen (RAIZ4) pode anunciar ainda nesta sexta-feira o acordo definitivo com credores locais e detentores de títulos no exterior, em uma das maiores reestruturações corporativas já realizadas no Brasil.
Embora a companhia tenha prazo até a próxima semana para concluir as negociações, a expectativa nos bastidores é de que a adesão supere com folga a meta mínima de 70% de aprovação estabelecida pela empresa.
Credores devem assumir quase 80% da companhia
O plano em negociação prevê a conversão de 45% da dívida, atualmente estimada em cerca de R$ 65 bilhões, em ações da companhia.
Com isso, os credores passarão a controlar aproximadamente 80% do capital da Raízen, enquanto os atuais acionistas enfrentarão forte diluição de participação.
Além disso, a Shell deverá realizar um aporte de R$ 3,5 bilhões, reforçando a estrutura financeira da empresa durante o processo de recuperação.
Divisão da companhia faz parte da estratégia
Outro ponto relevante da reestruturação envolve a separação da companhia em duas empresas independentes a partir de 2027.
A proposta prevê uma empresa focada na produção de etanol e energia, enquanto a outra concentrará as operações de distribuição de combustíveis.
A medida busca aumentar a eficiência operacional e facilitar futuras captações de recursos ou eventuais movimentações estratégicas envolvendo os ativos da companhia.
Novo conselho e diretor de reestruturação
O plano também contempla mudanças importantes na governança corporativa.
Está prevista a eleição de um novo Conselho de Administração no primeiro trimestre de 2027. Além disso, será criado o cargo de Chief Restructuring Officer (CRO), responsável por acompanhar a execução do plano de recuperação.
A função deverá ser ocupada por Lorival Luz, atual diretor financeiro da companhia e um dos principais responsáveis pelas negociações conduzidas com credores nos últimos meses.