
- Refinarias dos EUA ganham margem com petróleo venezuelano
- Chevron (CVX) se beneficia em produção e refino
- Petroleiras canadenses perdem espaço e sofrem na Bolsa
A possibilidade de maior controle dos EUA sobre o petróleo da Venezuela deve redesenhar a cadeia do setor na América do Norte e impulsionar as margens das refinarias americanas.
Segundo a Barron’s, o movimento favorece refinarias preparadas para petróleo pesado e rico em enxofre, ao mesmo tempo em que ameaça o espaço ocupado pelas petroleiras canadenses nos últimos anos.
Refinarias se beneficiam do petróleo pesado
Analistas apontam que qualquer aumento das exportações venezuelanas traz flexibilidade de fornecimento e redução marginal de custos para refinarias dos EUA.
Entre as mais beneficiadas estão Valero (VLO), Phillips 66 (PSX), Paulsboro Refining e Chevron (CVX).
A última manteve operações na Venezuela mesmo após a nacionalização do setor em 2007.
Mercado reage no pré-mercado
As ações refletiram rapidamente o novo cenário. Valero (VLO) subiu 7%, Paulsboro avançou 11%, Phillips 66 (PSX) ganhou 5% e Chevron (CVX) teve alta de 6% no pré-mercado em Nova York.
As refinarias, concentradas no Golfo do México, foram projetadas para processar petróleo pesado da Venezuela e do México.
No entanto, elas sofreram com sanções e custos mais elevados nos últimos anos.
Shale não resolve gargalo das refinarias
Apesar do avanço da produção doméstica, o petróleo de shale é mais leve e não substitui totalmente o petróleo pesado necessário para essas refinarias.
Em outubro, a Valero importou quase 5 milhões de barris do México e mais de 2 milhões de países como Colômbia, Brasil e Equador.
Por fim, a Chevron dependeu de fornecedores como Guiana, Arábia Saudita, Iraque e Canadá.
Canadá perde vantagem competitiva
Com a Venezuela fora do mercado, o Canadá ocupou o espaço e hoje exporta 3,3 milhões de barris por dia aos EUA, cerca de 25% do petróleo refinado no país.
Ademais, a volta do petróleo venezuelano aumenta a concorrência direta.
Isso porquê ambos possuem características semelhantes, pressionando empresas como Suncor, Cenovus Energy, Canadian Natural Resources e Imperial Oil.
Ações canadenses sentem o impacto
No pré-mercado, Suncor recuou 3%.
Enquanto isso, Cenovus e Canadian Natural Resources caíram 4%. Imperial Oil teve baixa de 1,5%.
Por fim, segundo a Barron’s, a maior concorrência pode corroer o prêmio de escassez que sustentava a tese de valorização das petroleiras canadenses.