Radiografia do mercado

Resultados do 3T expõem contraste explosivo entre varejo, serviços e indústria na Bolsa

Balanços revelam empresas acelerando lucros a dois dígitos enquanto outras ainda enfrentam retração forte e erosão de margens.

carteira do Ibovespa B3
carteira do Ibovespa B3
  • Empresas como SRNA3, SHUL4 e UNIP6 enfrentaram quedas relevantes em margens e lucros
  • Resultados do 3T mostraram forte disparidade entre varejo, serviços e indústria
  • Companhias como GMAT3, TFCO4 e SYNE3 puxaram os destaques positivos do trimestre

O 3T25 abriu uma radiografia marcante do mercado: enquanto empresas como Grupo Mateus (GMAT3), Track&Field (TFCO4) e Syn (SYNE3) avançaram com força em receita e lucro, outras enfrentaram quedas relevantes em margens, escalabilidade e rentabilidade.

Ainda assim, investidores observaram um padrão: mesmo com volatilidade, boa parte das companhias manteve capacidade de geração de caixa, mostrando que o ciclo operacional do varejo, da saúde e da indústria não segue um único ritmo.

Varejo surpreende com altas robustas

O Grupo Mateus (GMAT3) puxou o bloco positivo ao registrar crescimento de 29,1% na receita líquida, atingindo R$ 10,76 bilhões. O EBITDA ajustado avançou 31,9%, enquanto o lucro líquido saltou 48,4%, reforçando a expansão agressiva de lojas e ganho operacional.

Logo depois, a Track&Field (TFCO4) confirmou mais um trimestre forte, com receita 31,4% maior, EBITDA crescendo 27,8% e lucro avançando 30%, impulsionado pelo varejo premium e alta demanda por produtos de performance. A resiliência chamou atenção do mercado.

A IMC (MEAL3) seguiu caminho oposto. A empresa registrou queda de 3,9% na receita e retração de 11,4% no EBITDA. Porém, o fluxo de caixa livre positivo suavizou parte da percepção negativa e mostrou disciplina financeira.

Serviços mostram trajetórias divergentes

A Orizon (ORVR3) manteve crescimento moderado, com alta de 6,4% na receita e avanço de 4% no EBITDA. O lucro subiu apenas 2,2%, mas o segmento segue estável. A performance ilustra o comportamento defensivo de serviços essenciais.

Na outra ponta, a Serena (SRNA3) sentiu o impacto do trimestre e apresentou lucro líquido ajustado 63% menor, mesmo com receita estável e leve alta de 2%. O EBITDA caiu 2%, evidenciando pressão operacional. Investidores seguem atentos ao ritmo da reestruturação.

A Dasa (DASA3) representou um movimento particular: a empresa teve queda de 34% na receita, reflexo da desconsolidação da Ímpar. Ainda assim, a margem EBITDA subiu para 26,5%, indicando foco mais forte na rentabilidade e no controle de custos.

Indústria e consumidores alternam perdas e recuperação

A Schulz (SHUL4) apresentou um trimestre pressionado, com queda de 12% no lucro e retração de 22% no EBITDA, apesar da ligeira melhora no acumulado de nove meses. A receita também recuou 3%. A companhia, porém, segue com margens estáveis no longo prazo.

A Unipar (UNIP6) enfrentou recuo de 8% na receita e queda de 9% no lucro, mas entregou alta de 24% no EBITDA, apontando recuperação operacional em meio a preços mais favoráveis e ajuste na produção. Esse equilíbrio sustentou a avaliação do trimestre.

Fechando o bloco, a Dotz (DOTZ3) reduziu significativamente seu prejuízo, de R$ 16,1 milhões para R$ 2,3 milhões, mesmo sem divulgar EBITDA. A Syn (SYNE3), por sua vez, brilhou com lucro 158% maior, reforçando a retomada do setor imobiliário corporativo.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.