
- Santander (SANB11) afirma que a bolsa brasileira entrou em bull market
- Rotação global, juros e liquidez externa favorecem ações brasileiras
- Correções leves após choques negativos reforçam o sinal de tendência positiva
A bolsa brasileira entrou claramente em um “bull market”, segundo avaliação do Santander (SANB11). Em relatório enviado a clientes, a estrategista Aline Cardoso afirmou que o comportamento recente do Ibovespa confirma um ambiente estruturalmente positivo para ativos de risco.
Segundo o banco, a rápida recuperação após choques negativos indica que investidores seguem comprando quedas, sinal clássico de mercado em tendência de alta.
Correções leves reforçam bull market
O Santander (SANB11) destacou que, após o forte estresse registrado em 5 de dezembro, o Ibovespa já recuperou cerca de metade das perdas daquele dia. Mesmo diante de ruídos políticos relevantes, o movimento de correção foi limitado.
Naquela sessão, o índice chegou a superar 165 mil pontos, mas virou para queda e fechou abaixo de 158 mil, após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sinalizar intenção de disputar a Presidência em 2026.
Segundo Aline Cardoso, em bull markets, notícias negativas geram ajustes pontuais, pois compradores entram rápido para aproveitar preços baixos e limitam quedas mais profundas.
Rotação global favorece o Brasil
Outro ponto central da análise é a rotação setorial global. Nos Estados Unidos, investidores reduziram exposição a ações de tecnologia e inteligência artificial, migrando para setores mais tradicionais e de valor.
O movimento ganhou força após a Oracle divulgar projeções abaixo do esperado e anunciar aumento expressivo de investimentos, o que reacendeu temores de bolha em IA. A ação caiu 10,8% em um único pregão, enquanto setores cíclicos e de valor tiveram desempenho superior.
Nesse contexto, o Brasil, frequentemente visto como mercado de valor dentro dos emergentes, tende a se beneficiar diretamente dessa mudança de preferência dos investidores globais.
Juros e liquidez sustentam o risco
O relatório também aponta que decisões de bancos centrais reforçaram o ambiente favorável. Nos EUA, o Federal Reserve cortou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75%, mantendo a sinalização de novos cortes ao longo de 2026.
No Brasil, o Copom manteve a Selic em 15,0%, mas suavizou o discurso, indicando que o foco agora está no tempo de permanência dos juros elevados. Além disso, as projeções de inflação ficaram mais benignas, com expectativa de 3,2% no segundo trimestre de 2027.
O Santander também destacou a decisão do Fed de iniciar compras mensais de cerca de US$ 40 bilhões em títulos de curto prazo, medida que tende a enfraquecer o dólar e favorecer ativos de mercados emergentes, como a bolsa brasileira.