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Suzano (SUZB3) surpreende o mercado com corte bilionário nos investimentos para 2026

Companhia reduz projeções e aponta menores gastos operacionais após acordo florestal que alterou sua base de custos.

Terceira fabrica da Suzano em MS esta em preparacao
Terceira fabrica da Suzano em MS esta em preparacao
  • Distribuição do Capex inclui R$ 2,6 bi para terras e R$ 800 mi para expansão, reforçando foco em eficiência.
  • Suzano (SUZB3) reduz investimentos para R$ 10,9 bi em 2026 após reorganizar operações florestais.
  • Acordo com a Eldorado diminui necessidade de plantio e compra de madeira, reduzindo a manutenção.

A Suzano (SUZB3) ajustou suas expectativas para 2026 e divulgou que pretende investir R$ 10,9 bilhões no próximo ano, um recuo relevante diante dos R$ 13,3 bilhões previstos para 2025. O novo planejamento reforça uma estratégia mais enxuta, impulsionada por mudanças estruturais recentes na operação florestal da companhia.

Segundo fato relevante, a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo espera uma redução expressiva nos gastos de manutenção, movimento que ocorre após o acordo firmado com a Eldorado Brasil, responsável por redesenhar a necessidade de plantio e compra de madeira.

Menos manutenção e foco em eficiência

A Suzano estima alocar R$ 7,3 bilhões em manutenção no próximo ano, valor menor do que o observado anteriormente. A empresa explica que essa queda ocorre porque, com o acordo de permuta florestal com a Eldorado, a demanda por silvicultura e compra de madeira em pé diminuiu, permitindo uma reorganização dos custos operacionais.

Além disso, a distribuição dos investimentos mostra que R$ 2,6 bilhões serão aplicados em terras e florestas, enquanto R$ 800 milhões serão destinados a projetos de expansão e modernização. A estratégia reforça o foco em eficiência, algo que o mercado monitora de perto, especialmente em um setor pressionado por ciclos de preços.

Mesmo com as reduções, a companhia afirma que o planejamento mantém a robustez necessária para garantir competitividade, ainda mais diante da volatilidade internacional. Assim, o corte não aponta fragilidade, mas sim uma reorganização alinhada ao novo ciclo operacional.

Acordo com a Eldorado reorganiza o ciclo florestal

Firmado em agosto, o acordo entre Suzano e Eldorado Brasil envolveu 18 milhões de m³ de madeira em pé no Mato Grosso do Sul. Pelo acerto, a Suzano colherá o volume entre 2025 e 2027, enquanto a Eldorado terá direito ao equivalente entre 2028 e 2031, equilibrando estoques e reduzindo a necessidade de plantio imediato.

Esse movimento permite que a companhia avance em eficiência logística, reduza pressões inflacionárias internas e mantenha a operação florestal em níveis mais sustentáveis. Como consequência, o orçamento de 2026 apresenta um tom mais conservador, mas ainda assim orientado à preservação de margens em um ambiente competitivo.

Além do efeito direto no caixa, o acordo reforça a estratégia de estabilizar o ciclo de fornecimento de madeira, um dos principais custos da indústria de celulose. Por isso, analistas avaliam que o impacto tende a ser positivo ao longo do período contratado.

Perspectivas para o setor em 2026

O setor de celulose entra em 2026 sob expectativa de maior firmeza nos preços internacionais, embora ainda existam incertezas sobre a demanda global. Nesse contexto, empresas mais expostas ao ciclo florestal ajustam seus investimentos para enfrentar o ano com maior resiliência.

A Suzano sinaliza que seguirá investindo em tecnologia e eficiência para ampliar competitividade. Especialistas destacam que a empresa precisa acompanhar a evolução dos preços da celulose para garantir rentabilidade no curto prazo, mesmo com a redução de Capex.

Enquanto isso, investidores seguem atentos à capacidade da companhia de equilibrar investimentos e geração de caixa, especialmente diante da continuidade do projeto Cerrado, considerado um dos maiores da história do setor.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.