
- Tribunal de Contas da União deu ultimato para conclusão do trem de Guarulhos
- Sistema opera com capacidade reduzida e acumula mais de dois anos de atraso
- Agência Nacional de Aviação Civil já aplicou multa de R$ 12,8 milhões à concessionária
O Tribunal de Contas da União aumentou a pressão sobre a conclusão da linha que liga a CPTM ao Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos e deu um ultimato à concessionária responsável pela obra.
Em decisão aprovada nesta terça-feira, o tribunal determinou que a Agência Nacional de Aviação Civil retire o projeto do contrato da GRU Airport caso o sistema não esteja totalmente concluído, certificado e operando até 30 de setembro de 2026.
Projeto acumula atrasos e falhas operacionais
O sistema automatizado deveria ter sido entregue originalmente em fevereiro de 2024. Desde então, a concessionária apresentou diversos cronogramas que acabaram descumpridos.
Além disso, o serviço segue operando de forma parcial, com velocidade reduzida e capacidade muito abaixo da prevista em contrato.
Segundo o TCU, a linha atualmente transporta cerca de 300 passageiros por hora em cada sentido, enquanto a exigência contratual previa capacidade para 2 mil passageiros por hora.
O tribunal também destacou que o sistema ainda não recebeu certificação para operação simultânea de dois veículos.
TCU vê perda de credibilidade no cronograma
O relator do caso, ministro Bruno Dantas, afirmou que os sucessivos adiamentos reduziram a confiança nas previsões apresentadas pela concessionária.
Além disso, o tribunal citou problemas técnicos envolvendo automação, drenagem e segurança operacional do sistema.
Em episódios recentes, passageiros precisaram descer dos veículos e caminhar pelos trilhos após falhas operacionais e paralisações durante fortes chuvas.
Multas e risco contratual aumentam pressão
A Agência Nacional de Aviação Civil já aplicou multa de aproximadamente R$ 12,8 milhões contra a concessionária pelo atraso na entrega do projeto.
Por outro lado, a GRU Airport recorreu da penalidade, que segue suspensa até decisão final da agência reguladora.
Agora, o mercado acompanha os próximos passos da Anac e o risco de exclusão definitiva do projeto do contrato de concessão caso o cronograma volte a ser descumprido.