Pressão externa

Tesouro Direto dispara e IPCA+ encosta em 8% com risco externo no radar

Alta do dólar, Treasuries e tensão com a Venezuela pressionam juros no Brasil.

Trump
  • Tesouro Direto sobe em bloco com pressão externa
  • Petróleo, Fed e Venezuela elevam aversão ao risco
  • IPCA+ 2029 volta a pagar quase 8% de juro real

As taxas do Tesouro Direto subiram em bloco na última quarta-feira (17), refletindo o avanço do dólar, a alta dos Treasuries e o aumento da aversão ao risco global.

Com isso, o Tesouro IPCA+ 2029 voltou a pagar próximo de 8% de juro real, patamar que não era visto desde períodos recentes de forte estresse político e financeiro.

Prefixados e IPCA+ avançam forte

Na atualização das 11h59, os títulos prefixados registraram alta expressiva.

O Tesouro Prefixado 2028 passou de 12,99% para 13,19%, enquanto o Prefixado 2032 avançou de 13,58% para 13,81%.

Entre os papéis indexados à inflação, os vencimentos mais longos voltaram a oferecer prêmio próximo de 7% na parcela prefixada.

O destaque, porém, ficou com o IPCA+ 2029, que retomou a faixa de IPCA + 7,99%, nível considerado elevado para o padrão recente.

Fed reduz tensão, mas alívio é limitado

Apesar da abertura mais pressionada, a alta perdeu força ao longo da manhã.

Isso ocorreu após uma fala de Christopher Waller, dirigente do Federal Reserve, que ajudou a aliviar os ânimos do mercado.

Em evento da CNBC, Waller afirmou que o mercado de trabalho dos EUA dá sinais de enfraquecimento e que os juros seguem cerca de 1 ponto percentual acima do nível neutro.

Ainda assim, o efeito foi insuficiente para reverter totalmente o movimento de alta das taxas locais.

Petróleo, Venezuela e risco político pesam

O cenário piorou com a disparada de mais de 2% do petróleo, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenar o bloqueio total de petroleiros sancionados que operam na Venezuela.

Além disso, o ouro voltou a subir forte, sinalizando busca por proteção. No Brasil, o ambiente político também segue no radar dos investidores.

“O ambiente político continua determinante para os preços dos ativos locais, após uma reprecificação abrupta.

Além disso, o mercado enfrenta um dia robusto de emissões corporativas”, afirmou a Warren Investimentos, citando cerca de R$ 3,5 bilhões em ofertas atreladas a NTN-B 2032 e 2050.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.