
- UBS rebaixou ações brasileiras de atrativas para neutras
- Eleições, Selic e risco fiscal são os principais desafios
- Banco mantém visão positiva para os fundamentos de longo prazo
As ações brasileiras perderam espaço entre as preferências do UBS. O banco rebaixou sua recomendação para o mercado local de “atrativa” para neutra, argumentando que o potencial de valorização ficou mais limitado após a forte recuperação observada desde o ano passado.
Segundo a instituição, três fatores passaram a pressionar a relação entre risco e retorno dos ativos brasileiros nos próximos meses.
Eleições entram no radar do mercado
O principal ponto de atenção é o avanço da incerteza política às vésperas das eleições presidenciais de outubro.
Para o UBS, o tema deve ganhar cada vez mais relevância nas decisões dos investidores, elevando a volatilidade do mercado à medida que o processo eleitoral se aproxima.
O banco destaca que mudanças nas pesquisas e no cenário político podem provocar oscilações importantes na Bolsa nos próximos meses.
Selic deve ajudar menos
Outro fator que preocupa os analistas é a perspectiva de um ciclo de cortes de juros mais curto do que o esperado.
Após a valorização das ações em antecipação ao início do afrouxamento monetário, o UBS avalia que boa parte desse benefício já foi incorporada aos preços.
Além disso, a alta recente do petróleo e as preocupações com a inflação reduziram as expectativas para novos cortes relevantes da Selic até o fim do ano.
Fiscal também preocupa
O banco também aponta o aumento dos estímulos fiscais no período pré-eleitoral como um elemento de risco.
Na avaliação dos analistas, o avanço dos gastos públicos pode elevar as preocupações sobre a trajetória da dívida brasileira e pressionar ativos locais.
Mesmo assim, o UBS destaca que os fundamentos corporativos seguem sólidos e que o Brasil continua oferecendo exposição relevante a setores ligados a commodities, energia e infraestrutura.