Alívio temporário?

Banco do Brasil (BBAS3): MP do agro reduz pressão, mas JPMorgan mantém cautela com banco

Nova medida provisória melhora perspectivas para o crédito rural no curto prazo, porém banco vê desafios persistentes para inadimplência e provisões.

banco do brasil mcamgo abr 280620211818 6
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  • Banco do Brasil (BBAS3): Nova MP do agro traz alívio de curto prazo.
  • JPMorgan avalia que a medida melhora a recuperação de crédito e favorece o Plano Safra.
  • Banco mantém visão cautelosa diante dos riscos para inadimplência, provisões e rentabilidade.

O Banco do Brasil (BBAS3) pode ganhar um alívio temporário após o governo editar uma nova medida provisória (MP) para facilitar a renegociação das dívidas do agronegócio. Na avaliação do JPMorgan, a iniciativa reduz parte dos riscos imediatos para a carteira rural, mas ainda não resolve os problemas estruturais enfrentados pelo setor.

Apesar do impacto positivo no curto prazo, o banco americano manteve uma postura conservadora em relação às perspectivas do BB, destacando que a qualidade dos ativos e o custo do crédito seguem no radar dos investidores.

MP melhora cenário para o crédito rural

Segundo o JPMorgan, a nova MP é mais equilibrada do que a proposta discutida anteriormente no Congresso, pois restringe o volume de renegociações e estabelece condições mais rígidas para os produtores.

Além de aliviar a situação financeira dos agricultores, a medida deve aumentar as chances de recuperação de créditos pelo Banco do Brasil e permitir a retomada dos desembolsos do Plano Safra, importante motor de crescimento da carteira rural da instituição.

O banco também destaca que a suspensão, por 30 dias, das parcelas com vencimento em julho oferece fôlego aos produtores e pode estimular novas contratações de crédito.

Desafios permanecem para o Banco do Brasil

Mesmo com esse alívio, o JPMorgan avalia que os problemas da carteira agrícola ainda devem pressionar os resultados do banco nos próximos trimestres.

A instituição lembra que o Banco do Brasil registrou cerca de R$ 19 bilhões em provisões apenas no primeiro trimestre de 2026. Se esse ritmo continuar, o custo anualizado poderá alcançar R$ 80 bilhões, acima do guidance oficial de R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões.

Além disso, o banco alerta que a suspensão temporária dos pagamentos pode adiar o reconhecimento da inadimplência para os próximos trimestres e elevar a necessidade de capital diante da expansão esperada da carteira rural.

Diante desse cenário, o JPMorgan manteve recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 24.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.