Driblando a taxação

Vale (VALE3) pode antecipar bilhões em dividendos antes da reforma tributária; entenda

Mineradora deve se antecipar à nova tributação de 10% sobre dividendos e reforçar distribuição ainda em 2025, segundo bancos de investimento.

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  • Itaú BBA e Bradesco BBI mantêm recomendação de compra para as ações da mineradora.
  • Vale (VALE3) pode antecipar dividendos e JCP antes da nova tributação de 10%.
  • Bancos projetam US$ 3,7 bilhões em dividendos totais e dívida estável em US$ 15 bilhões.

A Vale (VALE3) estuda antecipar o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) antes da entrada em vigor da reforma tributária. A medida buscaria aproveitar o atual regime fiscal e evitar a taxação de 10% sobre dividendos, que começa a valer em janeiro de 2026.

De acordo com análise do Itaú BBA, a mineradora está bem posicionada para essa manobra financeira, sustentada por dívida líquida próxima de US$ 15 bilhões e forte geração de caixa.

Estratégia fiscal e momento de mercado

Os analistas explicam que a antecipação permitiria à Vale maximizar o retorno aos acionistas antes da mudança nas regras tributárias. Então, caso o cenário de preços do minério de ferro piore em 2026, a empresa pode justificar o pagamento como mera antecipação.

Por outro lado, se o fluxo de caixa permanecer sólido, a companhia transformará o movimento em dividendo extraordinário, mantendo o padrão de remuneração agressiva.

Portanto, o Itaú BBA projeta US$ 1,9 bilhão em dividendos mínimos no segundo semestre de 2025, o equivalente a 3,5% de rendimento. Em um ambiente mais favorável, a remuneração total pode chegar a US$ 3,7 bilhões, ou 7% de yield.

Dívida, capex e recompra

Mesmo com aumento no capex e desembolso de US$ 700 milhões para recompra de debêntures, o BBA afirma que a dívida líquida expandida da Vale continuará dentro das metas. Assim, a mineradora tem recorrido a mecanismos financeiros que amortecem o impacto dos investimentos e reforçam o balanço.

Nesse sentido, durante a teleconferência de resultados do 3T25, o diretor financeiro Marcelo Bacci destacou que, com o minério acima de US$ 100 por tonelada, a dívida deve se estabilizar em torno da meta de US$ 15 bilhões.

Esse patamar, segundo ele, cria capacidade adicional para dividendos extras, mesmo após as recompras. Desse modo, o BBA e o Bradesco BBI acreditam que a Vale manterá a remuneração ao acionista como prioridade no plano de médio prazo.

Projeções e recomendações dos bancos

O BBI estima que a Vale possa distribuir entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão adicionais, mantendo a dívida abaixo de US$ 17 bilhões.

Já para 2026, com Ebitda projetado em US$ 16,9 bilhões, o banco prevê US$ 3,5 bilhões em dividendos mínimos, um yield de 6,7%.

Além disso, em um cenário otimista, a mineradora pode pagar US$ 1,8 bilhão extra, elevando o rendimento total para 10,1%.

Em suma, tanto o BBA quanto o BBI mantêm recomendação de compra para os papéis VALE3, com preços-alvo de R$ 75 e R$ 83, respectivamente, até o fim de 2026.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.