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Venda bilionária da Motiva (MOTV3) surpreende o mercado e muda disputa por aeroportos

Em movimento histórico, grupo mexicano ASUR entra no Brasil ao comprar operação inteira de aeroportos da Motiva por R$ 11,5 bilhões.

Motiva
Motiva - Foto: (Divulgação/Charles Trigueiro)
  • Pacote vendido tem R$ 3 bi em receita anual e 51% de margem EBITDA.
  • Motiva (MOTV3) vende divisão de aeroportos para ASUR por R$ 11,5 bilhões.
  • Alavancagem cai para 3x e empresa reforça aposta em rodovias e trilhos.

A Motiva (MOTV3) fechou a venda de toda a sua operação de aeroportos para a mexicana ASUR, em um negócio de R$ 11,5 bilhões. O acordo envolve R$ 5 bilhões em equity e R$ 6,5 bilhões em dívidas, consolidando um dos movimentos mais relevantes do ano em infraestrutura.

A entrada da ASUR no Brasil cria uma nova gigante regional, já que a empresa vale US$ 8,3 bilhões em Nova York. Além disso, ela administra aeroportos como o de Cancún, o que reforça a expansão em mercados estratégicos.

Motiva acelera plano de simplificação

A operação ocorre dentro do projeto “Ambição 2035”, que redesenha o portfólio da Motiva. A companhia quer reduzir complexidade e aumentar o foco em rodovias e trilhos, áreas em que tem um pipeline de R$ 160 bilhões. Além disso, a empresa recebeu 20 propostas pelos aeroportos, o que mostra o interesse internacional nos ativos.

O CEO Miguel Setas afirmou que quatro finalistas chegaram à fase final, depois de 11 propostas não vinculantes. Assim, o negócio se tornou o “maior deal do setor de aeroportos”, segundo ele. O múltiplo de 8,8x EV/EBITDA ficou acima do nível da Motiva, que negocia hoje a 5,7x.

Com isso, a alavancagem deve cair de 3,5x para 3x, abrindo espaço para novos projetos e fortalecendo a geração de caixa futura. Entretanto, as aprovações da Anac e de órgãos internacionais ainda precisam avançar.

O que muda na estrutura da Motiva

A Motiva reduzirá sua carteira de 37 para 17 ativos, o que melhora a gestão operacional. Além disso, a empresa tem R$ 55 bilhões em capex previstos até o fim das concessões, concentrados nos próximos anos. Nesse cenário, o foco em menos operações deve aumentar a eficiência.

Por outro lado, a companhia já alcançou o piso da meta de desinvestimentos, entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões. Para completar o ciclo, a Motiva pode incluir um sócio minoritário em trilhos ou vender participações pontuais. Assim, o processo de simplificação continua aberto.

As ações MOTV3 sobem 34% em 12 meses, colocando a empresa entre as mais fortes do setor. Além disso, Itaú BBA e Lazard assessoraram a Motiva no negócio, enquanto os escritórios Pinheiro Neto e BMA cuidaram do jurídico.

Detalhes dos ativos vendidos

O pacote inclui 17 aeroportos no Brasil e outros três na América Latina. Eles geraram R$ 3 bilhões em receita nos últimos 12 meses, com margem EBITDA de 51%. Assim, a eficiência operacional chamou atenção da ASUR e de outros grupos internacionais.

Entretanto, a aprovação regulatória ainda define os próximos passos. A expectativa é de andamento suave, já que há pouca sobreposição de mercados. Enquanto isso, o setor observa o aumento da competitividade, impulsionado pela entrada de um operador global.

Com isso, o Brasil reforça sua posição como destino de capital estrangeiro em infraestrutura. O interesse da ASUR indica que, mesmo com volatilidade global, ativos bem estruturados continuam atraindo grandes investidores.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.