Oferta primária

Agibank mira Wall Street e desafia bancos tradicionais com IPO a múltiplo menor

Banco brasileiro estreia em Nova York buscando até US$ 830 milhões e valuation entre 9,5x e 11,5x o lucro.

agibank emprestimo
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  • IPO do Agibank pode captar até US$ 830 milhões, com oferta majoritariamente primária.
  • Valuation entre 9,5x e 11,5x o lucro, abaixo de fintechs como o Nubank.
  • Recursos serão usados para crescer no Brasil e em aquisições estratégicas.

O Agibank lançou seu IPO na Bolsa de Nova York, com uma oferta que pode levantar até US$ 830 milhões. A operação é majoritariamente primária, com foco em reforçar capital para crescimento no Brasil e aquisições estratégicas.

A faixa indicativa vai de US$ 15 a US$ 18 por ação, o que coloca o banco a um valuation entre 9,5x e 11,5x o lucro estimado para este ano, segundo fontes do mercado.

Estrutura da oferta

A oferta-base soma US$ 720 milhões, sendo 100% primária. Além disso, há um greenshoe de US$ 108 milhões, totalmente secundário, que permitirá a saída parcial de Vinci Compass e Lumina Capital Management.

No ponto médio da faixa, o valor de mercado post-money chega a R$ 17,2 bilhões, enquanto o pre-money fica em R$ 13,5 bilhões. O roadshow começa hoje, com precificação marcada para 10 de fevereiro.

Os coordenadores globais são Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup, com Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Société Générale e XP como joint bookrunners.

Comparação com pares

O múltiplo buscado pelo Agibank fica próximo ao de bancos tradicionais listados. O Itaú Unibanco (ITUB4) negocia a 9,9x o lucro de 2026, enquanto Bradesco (BBDC4) está a 7,94x e Santander Brasil (SANB11) a 8,17x.

Já a XP (XPBR31) opera a 9,97x, e o Nubank (ROXO34) negocia a um patamar bem mais elevado, perto de 21x o lucro estimado para 2026.

Portanto, para analistas, o risco de curto prazo do Agibank parece menor do que o de outros IPOs recentes, justamente pelo múltiplo mais baixo e pelo reforço de caixa imediato trazido pela oferta.

Modelo de negócio e governança

O Agibank atua em consignado, crédito pessoal, seguros e cartão de crédito, com um modelo híbrido que combina tecnologia e atendimento físico. O banco mantém mais de 1.000 Smart Hubs, cobrindo todas as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes.

Em 2024, a Lumina, de Daniel Goldberg, investiu R$ 400 milhões no banco, avaliando o negócio em R$ 9,3 bilhões post-money. Ademais, a Vinci Compass, acionista desde 2020, também integra o acordo de acionistas.

Por fim, a estrutura acionária prevê ações Classe A, com 1 voto, para o mercado, e Classe B, com 10 votos, concentradas no fundador Marciano Testa, que permanece como controlador e chairman.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.