Sem chance

Após bronca de Lula, Caixa recua e suspende lançamento de sua própria bet

Banco público cede à pressão do Planalto e adia entrada no mercado de apostas; foco agora é em programas com apelo eleitoral e ambiental.

caixa economica federal0505202672
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  • A Fazenda aprovou o projeto técnico, mas o risco político impediu o lançamento.
  • Lula cobrou explicações à direção da Caixa e pediu o adiamento da plataforma de apostas.
  • Banco prioriza programas sociais e ambientais, como reforma de moradias e crédito para motoboys.

A Caixa Econômica Federal decidiu suspender o lançamento de sua plataforma de apostas, prevista para este mês, após uma cobrança direta do presidente Lula. O projeto, que deveria gerar R$ 2,5 bilhões em arrecadação, enfrentava resistência dentro do governo e críticas da oposição, levando o Planalto a pedir cautela para evitar novos desgastes políticos.

A Secretaria de Comunicação (Secom) orientou o banco a priorizar medidas com impacto mais imediato junto à população, como o programa de reforma de moradias, orçado em R$ 40 bilhões, e a linha de crédito para motoboys, desenvolvida com o Ministério do Trabalho. Segundo um assessor do governo, “a bet não é prioridade neste momento, há outras entregas”. A Caixa também pretende concentrar anúncios de novas ações na COP30, em Belém, neste mês.

Lula cobra explicações e impõe recuo à direção do banco

Durante viagem à Ásia no fim de outubro, Lula se irritou com as críticas da oposição sobre a aposta do banco público no mercado de bets e determinou que o projeto fosse revisto.

Na volta ao Brasil, o presidente se reuniu com Carlos Vieira, chefe da Caixa, e deixou clara sua insatisfação com o cronograma da iniciativa.

Procurada, a Caixa não se manifestou oficialmente, mas fontes internas confirmaram o adiamento do lançamento.

O banco continua defendendo o projeto nos bastidores. Ele alega que as apostas ilegais em sites estrangeiros reduziram em até 50% a arrecadação das loterias. Com essa queda, os cofres públicos perdem receita, já que 48% da arrecadação bruta das loterias vai para o governo federal.

Projeto técnico aprovado, mas travado politicamente

O Ministério da Fazenda aprovou a proposta da bet da Caixa após analisar apenas aspectos formais e técnicos, sem avaliar o impacto político.

Além disso, a intenção original era lançar o produto ainda em 2024, após a regulamentação do setor de apostas e a definição de regras contra sites ilegais.

Em entrevista concedida em outubro, Carlos Vieira afirmou que a Caixa pretende atuar como “um player importante” nesse novo mercado. No entanto, com a resistência crescente no governo, o plano ficou em suspenso até nova avaliação política.

Governo muda foco: moradia, crédito e taxação de apostas

A decisão de segurar o projeto da bet coincide com a tentativa de Lula de reforçar pautas populares e sustentáveis. Assim, o governo prepara uma série de anúncios voltados à habitação, crédito e meio ambiente, temas que terão destaque durante a COP30.

Paralelamente, o Planalto segue empenhado em aumentar a taxação das bets e fintechs, com articulação no Congresso para elevar a alíquota de impostos do setor.

Em suma, Lula já havia sinalizado publicamente que considera o tema essencial para equilibrar as contas públicas e reduzir a concorrência desleal com as loterias oficiais da Caixa.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.