
- Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial no TJSP após proposta pelo banco Master
- Dívidas somam cerca de R$ 4 bilhões, com atrasos desde dezembro
- Empresa busca negociar passivos sem deságio e preservar mais de 10 mil empregos
O grupo Fictor, segundo maior patrocinador do Palmeiras e que apresentou proposta para adquirir o banco Master em parceria com investidores árabes, entrou com pedido de recuperação judicial em São Paulo. A solicitação foi protocolada no Tribunal de Justiça de São Paulo no domingo.
Segundo a empresa, a decisão busca garantir a continuidade das operações, manter empregos e criar um ambiente estruturado para renegociação de dívidas, após atrasos em pagamentos a investidores registrados desde dezembro.

Dívidas bilionárias e pedido de proteção judicial
Com a recuperação judicial, a Fictor formaliza a renegociação de compromissos financeiros de cerca de R$ 4 bilhões. Além disso, o pedido abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest.
Desde o fim de 2025, o grupo vinha enfrentando restrições de liquidez, o que levou ao atraso de obrigações com investidores. Ainda assim, a empresa afirma que manteve suas operações ativas.
Nesse contexto, a recuperação judicial surge como instrumento para organizar passivos, evitar bloqueios imediatos e preservar a estrutura operacional do grupo.
Plano prevê negociação sem deságio
No pedido apresentado à Justiça, a Fictor solicitou tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, conforme prevê a legislação.
Segundo a companhia, esse período permite reduzir o risco de corridas individuais de credores, que poderiam agravar ainda mais a situação de caixa.
Além disso, a empresa afirma que pretende quitar integralmente as dívidas, sem aplicação de deságio, por meio de um plano de recuperação a ser negociado com os credores.
Empregos e continuidade das operações
De acordo com comunicado oficial, a recuperação judicial busca tratamento isonômico entre credores, com foco nos sócios participantes, que representam a maior parte dos créditos.
A Fictor atua também nos setores de alimentos e infraestrutura, mantendo operações em andamento mesmo diante do estresse financeiro.
Segundo a empresa, o plano pretende preservar mais de 10 mil empregos diretos e indiretos, evitando a interrupção das atividades durante o processo judicial.