
- Will Bank escapa da liquidação e fica sob Raet, mantendo operações
- Venda ao Mubadala deve ser concluída rapidamente para evitar riscos
- R$ 8 bilhões em recebíveis e mudanças regulatórias influenciam o desfecho
O Will Bank ficou fora da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada nesta terça-feira pelo Banco Central. O BC decidiu colocar o Banco Master Múltiplo, estrutura que abriga o Will, em Regime de Administração Especial Temporária (Raet), preservando as operações e abrindo espaço para uma venda rápida.
Esse movimento impede que o colapso do conglomerado Master afete diretamente o banco digital, que vinha crescendo no varejo e despertou interesse de compradores como o Mubadala, apontado como o investidor mais avançado nas negociações conduzidas pela Laplace.
Decisão do BC tenta evitar efeito dominó no Will Bank
O BC adotou o Raet para manter as atividades do Master Múltiplo funcionando enquanto um interventor assume o comando por 120 dias. Com isso, os executivos perdem seus cargos, mas a operação segue estável. A alternativa reduz o risco de contaminação do Will, que poderia sofrer danos operacionais e reputacionais caso também entrasse em liquidação.
Além disso, o regime especial dá tempo para que a venda seja concluída. Fontes próximas afirmam que o anúncio precisa ocorrer rapidamente, já que a crise do Master pode atingir a percepção de risco sobre o Will. Como resultado, o BC optou por uma solução que prioriza a continuidade e a proteção dos clientes.
Consequentemente, o mercado vê o Raet como uma ponte para estabilizar o grupo e viabilizar a transferência do banco digital ao novo controlador.
Will Bank segue operando e mantém proteção do FGC
O Will possui aproximadamente R$ 7 bilhões em passivos, distribuídos entre depósitos e CDBs, quase todos abaixo de R$ 250 mil. Por isso, esses valores estão cobertos pelo FGC em eventual liquidação. Essa segurança reduz o estresse dos investidores, que temiam a inclusão do banco digital no processo do Master.
Entretanto, o grande ponto de tensão está nos R$ 8 bilhões em recebíveis futuros das operações de cartão, que precisam ser repassados à Mastercard. Parte desse montante pode não acompanhar a venda ao Mubadala. Por isso, a definição do destino dos ativos se tornou um dos itens centrais das negociações.
Ainda assim, a Mastercard apoia uma solução rápida para evitar um prejuízo bilionário. A empresa tem interesse direto na estabilidade da cadeia de pagamentos.
Novas regras ajudam a redesenhar o risco no setor
Na semana passada, o BC atualizou as normas de gerenciamento de riscos dos arranjos de pagamento, tornando mais claro quem responde financeiramente em cada etapa da cadeia. As bandeiras, incluindo a Mastercard, ganharam novas responsabilidades — embora com flexibilidade para exigir garantias personalizadas.
Essa mudança fortalece a proteção sistêmica e reduz a chance de colapsos inesperados em operações com cartões. Dessa forma, a atualização regulatória cria um ambiente mais estável e favorece a solução para o Will, que depende da colaboração entre arranjos, bancos e investidores.
Por fim, a sinalização regulatória indica que o BC pretende evitar rupturas no sistema de pagamentos, especialmente quando envolve instituições de grande volume como o Will.