
O regime chavista voltou a ser alvo de denúncias internacionais após a detenção de pelo menos 14 jornalistas e trabalhadores da imprensa nesta terça-feira (06/01). O incidente ocorreu nas dependências e arredores da Assembleia Nacional, em Caracas, enquanto os profissionais realizavam a cobertura da sessão de instalação do ano legislativo e a posse de Delcy Rodríguez como nova presidente do parlamento venezuelano.
Censura à imprensa
De acordo com relatos de organizações de direitos humanos e dos próprios veículos de comunicação afetados, como o portal Poder360, Gazeta do Povo e Metrópoles, os jornalistas foram abordados por agentes de segurança e grupos leais ao chavismo. O estopim para as detenções e abordagens agressivas teria sido o registro fotográfico e cinematográfico da cerimônia de posse de Delcy Rodríguez.
Os profissionais foram impedidos de circular livremente e, em muitos casos, tiveram seus equipamentos confiscados ou foram obrigados a apagar o material registrado. A denúncia principal indica que o regime busca controlar rigidamente a narrativa visual de eventos oficiais, punindo quem tenta documentar além do que é permitido pela propaganda estatal.
Quem são os detidos
Entre os profissionais afetados estão repórteres de agências internacionais e veículos locais independentes. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) da Venezuela confirmou que o grupo foi mantido sob custódia por horas dentro das instalações do Palácio Federal Legislativo.
“A ordem era clara: impedir que qualquer imagem não oficial da posse de Delcy Rodríguez saísse dali“, afirmou um dos observadores locais. Delcy Rodríguez, figura central da cúpula chavista e ex-vice-presidente, assumiu o comando da Assembleia Nacional em um movimento que consolida ainda mais o poder do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) sobre as instituições do país.
Reações internacionais
A prisão dos jornalistas gerou imediata condenação de entidades como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e a ONG Repórteres Sem Fronteiras. Grupos de oposição venezuelanos classificaram o ato como mais um capítulo da “política de silenciamento” imposta por Maduro.
Desde as eleições de julho de 2024, o clima de hostilidade contra a imprensa na Venezuela tem se intensificado. Profissionais estrangeiros têm sido expulsos do país, enquanto jornalistas locais enfrentam processos judiciais arbitrários sob a polêmica “Lei contra o Ódio”.
Até o fechamento desta matéria, o governo venezuelano não havia emitido uma nota oficial justificando as detenções, tratando o episódio como um procedimento de segurança padrão para o evento solene.