
Em coluna publicada nesta quarta-feira (1), o jornalista Marcos Augusto Gonçalves, da Folha de S.Paulo, criticou duramente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli pela condução do caso envolvendo o Banco Master, apelidando-o de “abafador geral bem trapalhão”. O texto destaca as tentativas do magistrado de gerenciar o processo, que envolve suspeitas graves de fraudes financeiras, mas que, segundo o colunista, acabam gerando mais ruído e complicações.
“Trapalhada”
Gonçalves compara o caso a um “grande iceberg” capaz de “afundar um Titanic” com passageiros ilustres do establishment econômico, político e institucional brasileiro. Ele aponta que Toffoli impôs sigilo rigoroso ao processo e anunciou uma acareação entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos. No entanto, o ministro recuou parcialmente, o que o colunista classifica como uma “trapalhada“.
Sobre o caso do Banco Master
O Banco Master, em liquidação extrajudicial desde novembro de 2025 por decisão do Banco Central (BC), enfrenta investigação por uma nova suspeita de fraude financeira estimada em R$ 11,5 bilhões.
O esquema envolvia operações estruturadas em que o banco concedia empréstimos a empresas ligadas ao controlador Daniel Vorcaro ou a pessoas de confiança; esses recursos eram aplicados em fundos administrados pela gestora Reag Trust, que por sua vez adquiria ativos de baixa liquidez e valor superestimado do próprio Master ou de entidades relacionadas, permitindo uma “limpeza contábil” artificial que mascarava déficits patrimoniais e mantinha índices regulatórios inflados.
Um relatório do BC ao Tribunal de Contas da União (TCU) apontou “falhas graves” nessas transações, realizadas em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, com possível uso de laranjas para pulverizar recursos. A Reag, alvo da operação Carbono Oculto da Polícia Federal — que apura lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado, incluindo suspeitas de conexão com o PCC —, nega qualquer vínculo com a facção e afirma colaborar com as investigações.
Ligações suspeitas com Ministros do STF
O caso ganhou contornos polêmicos ao ser avocado para o STF por Toffoli, sem motivo convincente segundo críticos. Além disso, há menção a um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e a família do ministro Alexandre de Moraes, o que coloca o tribunal sob suspeita. Gonçalves enfatiza o risco de uma delação premiada que poderia escalar para a esfera criminal, envolvendo figuras poderosas, incluindo conexões com fundos de previdência de servidores públicos no Rio de Janeiro e no Amapá.
Juristas consultados pela coluna consideram inadequada a convocação inicial do diretor do BC para a acareação, especialmente durante o recesso judiciário. O episódio, que incluiu depoimentos à PF em 30 de dezembro, gerou tensões e questionamentos sobre a urgência das medidas tomadas de ofício por Toffoli.
O colunista conclui que as manobras do ministro, em vez de resolverem o caso, apenas aumentam o nervosismo no mercado financeiro e o potencial para um “incêndio de grandes proporções” no cenário político.
A coluna reflete o debate crescente sobre a atuação do STF no caso Master, que já envolveu viagens de Toffoli com advogados ligados ao banco, recusas a pedidos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e embargos do BC. O processo segue em sigilo absoluto, com Toffoli aguardando avanços da PF para decidir se mantém a relatoria no Supremo.