
O Governo Lula liberou R$ 4,4 milhões para uma empresa investigada por corrupção e suspeita de envolvimento em um esquema de propina na capital paraense. O valor foi destinado à Ômega Construtora e Incorporadora, dentro de uma linha de crédito especial criada para projetos ligados à COP30.
A operação ocorreu com aprovação acelerada e sob regras diferenciadas, desenhadas especificamente para empreendimentos localizados no Pará. O repasse foi autorizado em setembro, como parte do pacote de incentivos do Ministério do Turismo para obras e melhorias voltadas ao evento internacional.
Financiamento sob suspeita
A concessão do crédito foi feita por meio do fundo Novo Fungetur, que recebeu orientações especiais para priorizar contratos da COP30. O teto de crédito no estado foi ampliado, e os projetos passaram a depender apenas de anuência ministerial — reduzindo o rigor da análise técnica.
No caso da Ômega, o contrato foi assinado mesmo com a empresa já sob investigação por movimentações suspeitas e saques em espécie. Documentos internos apontam que o repasse foi validado sem questionamentos, seguindo a política de “agilidade” imposta para atender às metas do evento.
A decisão levantou dúvidas sobre o controle de integridade aplicado nas operações e a real capacidade de fiscalização dos bancos e órgãos públicos envolvidos.
Empresa e ligações políticas
A Ômega Construtora é controlada por Igor de Sousa Jacob, empresário com histórico de relações próximas a políticos locais e presença em licitações da prefeitura de Belém.
Investigações anteriores apontaram movimentações financeiras incompatíveis com o porte da empresa e uso de empresas de fachada.
Relatórios internos identificaram comunicações entre os executivos da construtora citando pagamentos “extraoficiais” a intermediários públicos, o que reforçou as suspeitas de propina. Mesmo assim, a companhia foi habilitada para receber o recurso integral.
Fontes próximas à pasta indicam que o caso foi tratado com discrição, evitando desgaste político às vésperas do evento internacional.
Pressão sobre o governo e a COP30
O episódio acendeu o alerta sobre transparência e gestão de recursos públicos na COP30, que já enfrenta críticas por gastos elevados e falta de controle nas contratações. A associação direta entre o evento e uma empresa investigada ameaça a imagem de credibilidade do Brasil no cenário global.
Dentro do próprio governo, há preocupação com o risco de que novos contratos sejam questionados por órgãos de controle, especialmente após a ampliação das linhas de crédito regionais. A pressão sobre o Ministério do Turismo deve crescer, exigindo respostas sobre como o dinheiro público foi liberado sem filtros de integridade mais rígidos.
A polêmica reforça o desgaste político do Palácio do Planalto, em um momento em que a COP30 enfrenta uma crise, com desorganização, ausência de investimentos e gastos públicos exacerbados.
Três pontos principais:
- Governo Lula liberou R$ 4,4 milhões da COP30 para empresa investigada por propina.
- Linha de crédito especial reduziu controles e acelerou aprovações no Pará.
- Caso pressiona o governo e ameaça a imagem da COP30 no exterior.