Vozes amazônicas

COP30: Governo Lula é acusado de "esconder" feirantes do Ver-o-Peso

Feirantes denunciam abandono e queda nas vendas durante evento que promete mostrar sustentabilidade ao mundo.

COP30

O clima de festa e diplomacia da COP30 em Belém contrasta com o sentimento de revolta entre os trabalhadores do Mercado Ver-o-Peso, um dos maiores símbolos da cultura amazônica. Vendedores afirmam estar sendo isolados pelas restrições e obras promovidas durante o evento, que, segundo eles, afastaram clientes e reduziram drasticamente o movimento no local.

A feirante Socorro Loura, há mais de seis décadas no mercado, diz que o evento internacional transformou o Ver-o-Peso em um “cartaz turístico”, mas sem valorizar quem sustenta o espaço há gerações. Segundo ela, os feirantes estão sendo “escondidos” para dar lugar à imagem limpa e organizada que as autoridades querem mostrar aos visitantes estrangeiros.

Tradição esquecida no palco da COP30

Enquanto o governo federal promove a COP30 como um marco ambiental e social, os comerciantes locais relatam que o cotidiano se tornou um desafio. Barreiras de segurança, obras de revitalização e controle policial reduziram o fluxo de visitantes, deixando barracas de ervas, frutas e artesanato quase vazias.

Para muitos, o evento que deveria valorizar a Amazônia acabou destacando apenas a fachada, e não as pessoas que mantêm viva a tradição cultural do Estado. A promessa de inclusão e benefícios econômicos ainda não se concretizou, e o descontentamento cresce a cada dia entre os trabalhadores do mercado.

As feirantes afirmam que produtos típicos, como o óleo de andiroba e a copaíba, ficaram mais caros e difíceis de vender. Mesmo assim, dizem não ter recebido apoio financeiro ou orientação das autoridades sobre como se integrar às atividades da conferência climática.

Queremos respeito, não queremos ser vitrine

Em vídeos e relatos que circulam nas redes, Socorro e outras vendedoras fizeram um apelo direto ao presidente Lula, pedindo para não serem esquecidas. “Queremos respeito, não queremos ser vitrine”, disse a feirante, emocionada.

Elas pedem que a prefeitura e o governo estadual garantam espaços para a venda dos produtos tradicionais e que as medidas de segurança não impeçam o acesso de clientes e turistas ao mercado. O sentimento é de que o evento, que deveria promover a inclusão social e ambiental, acabou afastando quem mais representa a identidade amazônica.

Principais pontos

  • Feirantes do Ver-o-Peso relatam isolamento e perda de renda durante a COP30.
  • Obras e bloqueios transformaram o mercado em vitrine turística, sem incluir os trabalhadores locais.
  • Apelos diretos ao governo pedem valorização e espaço para quem representa a cultura amazônica.
Fernando Américo
Fernando Américo

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.