Violência estatal

Em meio a massacre do regime Iraniano contra cidadãos, governo Lula ignora mortes e fala em "soberania"

Governo Lula evita condenar massacre no Irã, com filas de sacos de cadáveres nas ruas, e defende apenas a “soberania” do regime em nota genérica.

Protestos Irã

O governo brasileiro, sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), emitiu uma nota oficial sobre os protestos no Irã que evita qualquer condenação explícita à repressão violenta promovida pelo regime teocrático de Ali Khamenei. Em vez disso, o Itamaraty enfatizou a “soberania” do país, afirmando que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país“. A declaração lamenta as mortes de forma genérica e insta ao “diálogo pacífico”, mas ignora relatos de execuções sumárias, torturas e uso de força letal contra manifestantes civis.

Crise no Irã: repressão brutal e números alarmantes

Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro de 2025, inicialmente motivados por uma grave crise econômica – com inflação galopante, desvalorização da moeda e aumento no custo de vida – mas rapidamente evoluíram para críticas diretas ao regime político. A resposta das autoridades iranianas tem sido extremamente violenta: bloqueio quase total de internet e comunicações, prisões em massa e emprego sistemático de força letal.

A repressão alcançou níveis descritos como os mais brutais em décadas, com relatos chocantes de filas intermináveis de sacos contendo cadáveres em morgues improvisadas e ruas de cidades como Teerã, Isfahan e Tabriz. Imagens e testemunhos que conseguiram escapar da censura mostram verdadeiros “banhos de sangue“, com corpos empilhados em sacos plásticos pretos aguardando identificação ou enterro coletivo, enquanto familiares desesperados tentam reconhecer entes queridos entre as vítimas.

Estimativas de organizações de direitos humanos indicam um número altíssimo de vítimas. Relatos apontam para pelo menos 2.000 a 2.400 mortes, com algumas fontes sugerindo que o total real pode ser ainda maior devido ao blackout de informações imposto pelo regime. Milhares de pessoas foram detidas, e há denúncias de desaparecimentos, torturas e até execuções programadas de manifestantes capturados.

O regime, liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, enfrenta o maior desafio desde a Revolução Islâmica de 1979, com a repressão sendo descrita como a mais letal em décadas.

Posição do governo brasileiro: silêncio seletivo

A nota do governo Lula, com poucos parágrafos, acompanha os eventos “com preocupação” e transmite “condolências às famílias afetadas”, mas não menciona o regime iraniano como responsável pelas mortes.

O Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo“, diz o texto, em uma referência indireta a pressões externas, como as vindas dos Estados Unidos.

Não há menção a execuções específicas, massacres ou à repressão governamental, apesar das estimativas elevadas de vítimas. A embaixada brasileira em Teerã monitora a situação de cidadãos brasileiros no país, sem registros de vítimas nacionais até o momento.

Críticas intensas nas redes e na imprensa

Essa postura tem gerado forte reação nas redes sociais e na mídia. Muitos apontam para uma seletividade ideológica, onde o governo brasileiro é rápido em condenar ações de certos países, mas adota tom brando diante de regimes autoritários aliados ou não alinhados aos EUA.

Comentários destacam a ironia: enquanto há condenações enfáticas em outros contextos internacionais, aqui prevalece a defesa da “soberania” mesmo diante de um massacre em curso. Críticos afirmam que o texto relativiza a violência estatal, priorizando relações diplomáticas e comerciais em detrimento dos direitos humanos.

Fernando Américo
Fernando Américo

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.

Sou amante de tecnologias e entusiasta de criptomoedas. Trabalhei com mineração de Bitcoin e algumas outras altcoins no Paraguai. Atualmente atuo como Desenvolvedor Web CMS com Wordpress e busco me especializar como fullstack com Nodejs e ReactJS, além de seguir estudando e investindo em ativos digitais.