
- PF investiga emissão de CDBs irregulares e suposto esquema de captação fraudulenta.
- Vorcaro foi preso em Guarulhos ao tentar embarcar após o anúncio da venda do Banco Master.
- BC decretou liquidação extrajudicial e bloqueou bens de controladores e ex-administradores.
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na noite da última segunda-feira (17), no aeroporto de Guarulhos, depois de tentar embarcar em um jato particular com destino à Europa. O movimento ocorreu logo após o anúncio da venda da instituição, que já enfrentava forte deterioração financeira e crescente pressão regulatória.
Segundo investigadores, Vorcaro deixou o banco em São Paulo, seguiu de helicóptero até Guarulhos e avançou direto para a aviação executiva. A PF avaliou que ele tentava se afastar do país no momento em que a crise do Master se tornava pública, embora sua defesa negue qualquer tentativa de fuga.
Venda surpresa e fuga frustrada
A crise se intensificou depois que um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Master, prometendo um aporte imediato de R$ 3 bilhões. A transação envolveria investidores dos Emirados Árabes Unidos e buscava estabilizar o caixa do banco. Entretanto, o acordo dependia da aprovação do Banco Central e do Cade, o que tornava o desfecho incerto.
Pouco depois da divulgação da venda, Vorcaro deixou a sede do banco e partiu para o aeroporto. Investigadores afirmam que ele pretendia voar até Malta, embora sua defesa alegue que o destino final seria Dubai, onde encontraria representantes do grupo comprador. Ainda assim, para a PF, a movimentação reforçou a percepção de que ele tentava se antecipar a possíveis desdobramentos.
Com a chegada da PF ao aeroporto, a tentativa de embarque foi interrompida. A prisão aconteceu antes mesmo do início da operação prevista para esta terça-feira, justamente porque os agentes consideraram que uma fuga poderia comprometer a investigação.
Investigações revelam esquema de CDBs irregulares
A operação da PF mira um esquema que incluía a emissão de CDBs com rendimento até 40% acima da taxa básica, algo muito acima do padrão de mercado. Os investigadores afirmam que o banco oferecia esses papéis como investimentos de alta rentabilidade, mas sem lastro suficiente para cumprir as promessas. Dessa forma, clientes eram atraídos por produtos que o mercado considerava incompatíveis com a realidade financeira do Master.
Ao longo do ano, o banco já enfrentava questionamentos sobre o alto custo de captação e a exposição a investimentos considerados arriscados. O risco de falência cresceu de forma acelerada, enquanto tentativas de venda se acumulavam. Em março, por exemplo, o BRB (BSLI11) chegou a negociar a compra da instituição, mas o Banco Central rejeitou a proposta por falhas documentais e ausência de comprovação de viabilidade econômico-financeira.
A operação desta terça cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão, em cinco estados e no Distrito Federal. As ações ocorreram em meio a disputas judiciais, pressões políticas e confrontos diretos com órgãos de controle.
Banco Central decreta liquidação e encerra atividades
Com a situação se deteriorando, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master nesta manhã. A medida bloqueou os bens dos controladores e ex-administradores e determinou o encerramento imediato das operações. Dessa forma, o banco deixou de operar no sistema financeiro nacional.
Na prática, a liquidação transfere o comando para um liquidante, que passa a vender ativos e pagar credores conforme a ordem prevista em lei. O processo suspende qualquer tratativa de venda, inclusive a anunciada pelo grupo Fictor, que foi automaticamente interrompida.
A decisão do BC mostra que a crise ultrapassou o campo societário. Segundo a própria autarquia, a proposta de venda ao BRB continha lacunas graves, além de inconsistências que comprometeriam a solidez da operação. Com isso, a liquidação se tornou o único caminho possível dentro das regras prudenciais.