
- A PF está investigando a Banvox, que multiplicou seu patrimônio sob gestão por seis em três anos
- A gestora administrou fundos com possíveis ligações ao PCC e ao BK Bank, alvo da Carbono Oculto
- A empresa já foi acionista relevante do Banco Master, em sociedade com Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado
A megaoperação da Polícia Federal que ocupou a Faria Lima revelou um novo nome de peso no centro das investigações: a Banvox, uma das gestoras que mais cresceram nos últimos anos no mercado brasileiro. A empresa, que multiplicou por seis o patrimônio sob gestão em apenas três anos, agora aparece nos documentos da Operação Carbono Oculto.
As apurações apontam que organizações criminosas, como o PCC, usaram instituições financeiras para ocultar patrimônio e lavar dinheiro. Entre os alvos, a Banvox surge pela ligação com fundos investigados e por sua antiga participação societária no Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
De R$ 10 bi a R$ 67 bi em três anos
A Banvox foi fundada em 1984, mas só nos últimos anos ganhou tração relevante no mercado. Em 2021, administrava R$ 10 bilhões. Em julho de 2024, esse número já havia saltado para R$ 67,3 bilhões, um crescimento expressivo que chamou a atenção do setor financeiro.
O número de fundos sob sua administração também aumentou, passando de 345 para 408 no período. Nesse sentido, o avanço parecia consolidar a gestora como uma administradora de peso no mercado nacional.
Esse crescimento acelerado, no entanto, agora passa a ser reavaliado à luz das investigações da Polícia Federal. Desse modo, para os investigadores, a expansão pode estar relacionada a fluxos financeiros suspeitos que circularam em produtos específicos da casa.
Fundos sob suspeita
Um desses produtos é o fundo imobiliário Los Angeles 1, rebatizado como “Lucerna”. O fundo teria registrado operações cruzadas com o BK Bank, instituição usada por criminosos para remessas e recebimentos de recursos.
A Banvox afirma que, por recomendação de compliance, já havia renunciado à administração do fundo antes da deflagração da operação da PF. Além disso, a gestora reforça que não mantém relação direta com cotistas ou investidores ligados ao caso.
Portanto, a presença da Banvox nos autos adiciona combustível às suspeitas, ampliando a pressão sobre sua governança e sobre os mecanismos internos de controle da gestora.
O elo com o Banco Master
As investigações também expõem uma ligação direta da Banvox com o Banco Master. Em 2020, a Banvox Holding foi criada com Maurício Quadrado e Daniel Vorcaro como diretores. Essa holding chegou a deter 22% do capital do Master até 2023, antes da transferência para a DV Holding, ligada ao próprio Vorcaro.
Ademais, a operação incluiu um adiantamento de R$ 360 milhões ao banqueiro, que usaria os recursos para futuras aquisições de ações do Master. Pouco depois, Vorcaro deixou a diretoria da holding, sendo substituído por outros executivos.
Por fim, apesar da saída formal, a conexão entre Banvox e Master continua a levantar dúvidas sobre a extensão das relações societárias e sobre como esses vínculos se encaixam na apuração da Carbono Oculto.