
- Portugal eliminou a regularização automática e endureceu os vistos de trabalho.
- Itália limitou a cidadania a filhos e netos de italianos.
- Reino Unido ampliou o tempo de residência e impôs testes obrigatórios.
O sonho europeu ficou mais distante. Portugal, Itália, Espanha e Reino Unido adotaram novas leis que restringem o acesso à cidadania e à residência para estrangeiros, especialmente brasileiros, que vinham liderando os pedidos nos últimos anos.
As mudanças fazem parte de uma onda de endurecimento migratório que avança em toda a Europa. Autoridades afirmam que as medidas visam conter abusos, mas críticos dizem que o objetivo é dificultar a entrada de imigrantes diante do aumento das tensões sociais e econômicas.
Portugal endurece regras e mira imigrantes brasileiros
Em Portugal, passou a valer o pacote anti-imigração, que acaba com a regularização automática de turistas e restringe vistos de trabalho a profissionais qualificados.
Agora, apenas imigrantes com dois anos de residência legal podem pedir a entrada de familiares no país.
A comunidade brasileira, formada por quase 500 mil pessoas, é a mais afetada. O parlamento ainda discute novas limitações para a obtenção da cidadania portuguesa por descendência, o que pode reduzir drasticamente o número de novos residentes legais.
Itália restringe cidadania por descendência
A Itália limitou o direito de sangue a apenas duas gerações nascidas fora do país. A partir de agora, apenas filhos e netos de italianos poderão obter a cidadania.
Assim, a mudança encerra um privilégio histórico que beneficiava bisnetos e tataranetos de imigrantes italianos no Brasil.
Desse modo, a medida, segundo o governo, busca reduzir a sobrecarga consular e evitar fraudes nos pedidos.
Espanha encerra a “Lei dos Netos”
A Espanha também apertou as regras. O governo retirou de vigor a Lei de Memória Democrática, conhecida como Lei dos Netos, que facilitava a nacionalidade a descendentes de espanhóis exilados durante a guerra civil e a ditadura de Franco.
Ademais, com o fim da norma, os pedidos de cidadania passam a seguir critérios mais rígidos.
Portanto, brasileiros interessados precisaram protocolar seus processos até quarta-feira (23) para manter o direito ao procedimento simplificado.
Reino Unido impõe testes e dobra o tempo de residência
O Reino Unido dobrou de cinco para dez anos o tempo mínimo de residência permanente e tornou obrigatória a prova de proficiência em inglês para solicitantes de visto e familiares.
Além disso, o salário-base exigido para o visto de trabalho subiu, o que dificulta a entrada de estrangeiros com rendas mais baixas. Desde o Brexit, a imigração disparou para mais de 800 mil entradas anuais.
Por fim, o resultado é visível: mais de 3 mil brasileiros já voltaram ao país de origem apenas no primeiro semestre de 2025, segundo dados oficiais.