
O colapso do Banco Master trouxe alívio imediato para milhares de investidores, mas abriu um novo foco de preocupação no mercado financeiro. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já pagou cerca de R$ 39 bilhões, cobrindo quase 90% dos clientes dentro do limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
No entanto, embora o pagamento seja rápido, o problema surge na etapa seguinte. Após assumir o lugar dos credores, o FGC entra em uma longa fila para tentar recuperar os valores, o que pode levar anos e depende diretamente da qualidade dos ativos da instituição.
Fila de pagamento coloca FGC no fim da linha
Após a liquidação, a ordem de pagamento segue regras rígidas. Primeiro entram os créditos trabalhistas, depois os credores com garantia real, como operações com imóveis ou recebíveis, e em seguida os débitos tributários.
Somente depois desse bloco aparecem os credores sem garantia, grupo no qual o próprio FGC se encaixa. Na prática, isso significa que o fundo depende do que sobra, o que reduz a previsibilidade de recuperação dos recursos.
Além disso, quando os ativos possuem baixa liquidez ou enfrentam disputas judiciais, o processo se arrasta. Com isso, o tempo de recomposição do fundo aumenta e pressiona o sistema financeiro.
Juros altos e crise ampliam risco sistêmico
O cenário atual agrava esse problema. Com a taxa de juros em 14,75% ao ano, o crédito fica mais restrito, enquanto o avanço das recuperações judiciais dificulta ainda mais a execução de garantias.
Segundo especialistas, o investidor costuma focar apenas na proteção inicial do FGC, mas ignora a etapa mais crítica. A recuperação dos recursos depende da qualidade das garantias e da estrutura dos ativos envolvidos.
Dessa forma, ativos mais líquidos tendem a acelerar o processo, enquanto estruturas complexas aumentam a incerteza. Esse fator deve levar o mercado a reavaliar riscos e exigir retornos maiores em novas operações.