Crise extrema

Inflação explode na Venezuela e passa de 500% sob ofensiva direta de Trump

Pressão dos EUA aperta regime de Maduro e acelera crise econômica em Caracas.

Venezuela
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  • Inflação venezuelana dispara e atinge 556% em 12 meses
  • Quem recebe em bolívares sente o impacto mais severo
  • Trump endurece sanções e bloqueia petroleiros do país

A inflação na Venezuela voltou a sair do controle e ultrapassou 500%, em meio ao endurecimento das sanções dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro.

Segundo um índice semanal da Bloomberg News, a taxa acumulada atingiu 556% nos 12 meses até 17 de dezembro, em forte aceleração frente aos 219% no fim de junho e aos 45% registrados em 2024.

Pressão externa acelera crise

O avanço da inflação ocorre enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, intensifica a estratégia de isolamento financeiro do regime venezuelano. Há meses, Washington amplia restrições com o objetivo declarado de enfraquecer o governo socialista.

Na terça-feira, Trump ordenou o bloqueio total de petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. A medida tende a estrangular a indústria de petróleo, principal fonte de dólares do país.

“O choque será como nada que eles já tenham visto”, afirmou Trump em publicação nas redes sociais, reforçando o tom de confronto.

Indicador reflete colapso econômico

O índice da Bloomberg é considerado rudimentar, pois acompanha o preço de uma xícara de café em Caracas, mas virou o principal termômetro em tempo real da inflação venezuelana.

Isso ocorre porque o país deixou de divulgar dados oficiais regulares há mais de uma década, numa tentativa de ocultar o colapso econômico.

Apesar do salto recente, a inflação já foi ainda maior no passado. O mesmo indicador chegou a registrar taxas anuais acima de 100 mil por cento desde 2016.

Dolarização protege poucos

Parte da população está parcialmente protegida da disparada dos preços. Atualmente, cerca de 90% dos trabalhadores do setor privado recebem salários em dólares, prática adotada para preservar o poder de compra.

Por outro lado, servidores públicos, aposentados e beneficiários sociais, que seguem recebendo em bolívares, sofrem diretamente o impacto da inflação.

Para esse grupo, a nova aceleração representa mais um golpe em uma crise prolongada que já forçou milhões de venezuelanos a deixar o país.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.