Novo impasse

Lavrov dispara e ameaça travar plano de paz: o que Moscou quer de Trump agora

Kremlin reage ao rascunho revisado e deixa no ar que pode rejeitar o acordo se pontos cruciais forem alterados.

Vladimir Putin e Donald Trump em encontro no Alasca — Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP
Vladimir Putin e Donald Trump em encontro no Alasca — Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP
  • Moscou afirmou que pode rejeitar o plano caso considere que desfiguraram a essência da proposta de Anchorage.
  • Lavrov afirmou que o plano revisado ainda apresenta “questões graves” que o governo precisa esclarecer.
  • Crimeia e Donbass seguem como impasses centrais e tornam o texto inaceitável para Kiev

A ofensiva diplomática ganhou um novo impasse depois que Serguei Lavrov afirmou que “uma série de questões” ainda precisam ser esclarecidas no plano de paz revisto para a guerra na Ucrânia. As declarações acenderam um alerta porque indicam que Moscou pode rejeitar partes essenciais das propostas apresentadas recentemente.

O chanceler russo ressaltou que o entendimento firmado durante a reunião de Anchorage voltou ao debate, já que o novo documento rompe a longa pausa nas negociações, porém traz pontos considerados sensíveis para o Kremlin.

Pressão aumenta sobre revisão do plano

Lavrov lembrou que, após Anchorage, o processo ficou parado por um longo período, e afirmou que o novo documento rompe essa pausa, embora as divergências persistam. Além disso, o ministro reforça que a Rússia observa com cautela cada alteração, especialmente porque mudanças podem alterar compromissos assumidos anteriormente.

Durante a conversa original, Donald Trump teria sinalizado disposição para reconhecer a Crimeia como território russo e pressionar Kiev a recuar na região de Donbass. Embora isso não tenha avançado, o simples registro dessa possibilidade elevou a preocupação europeia e ucraniana.

No entanto, esse trecho, presente na primeira versão do plano, tornou-se inaceitável para Kiev, que busca convencer Trump a abandonar a ideia completamente. A liderança ucraniana vê o item como ameaça direta à sua soberania.

Moscou indica que pode rejeitar texto revisado

Lavrov afirmou que “se o espírito e a letra de Anchorage forem apagados desses entendimentos fundamentais que registramos, então será uma situação fundamentalmente diferente”. A frase deixou no ar a possibilidade de Moscou rejeitar o plano revisado, caso considere que seus interesses foram descaracterizados.

O chanceler destacou que a Rússia avalia cada detalhe para evitar concessões consideradas irreversíveis. Assim, qualquer tentativa de remodelar o equilíbrio firmado anteriormente pode travar o avanço das conversas.

Mesmo assim, a diplomacia russa mantém portas abertas, embora deixe claro que não aceitará propostas que interprete como imposições ocidentais. Isso reforça o risco de nova estagnação no processo.

Kiev tenta evitar retrocessos

O presidente Volodymyr Zelensky trabalha para convencer Trump a retirar qualquer menção a concessões territoriais. Segundo fontes envolvidas nas tratativas, Zelensky argumenta que mudanças dessa natureza enfraqueceriam o país e criariam precedentes perigosos.

As autoridades ucranianas afirmam que qualquer plano deve preservar totalmente a integridade do território do país. Dessa forma, Kiev tenta garantir que nenhuma versão futura inclua pontos que possam favorecer a expansão russa.

Enquanto isso, o novo documento segue em análise e pode sofrer ajustes. Entretanto, ainda não há consenso sobre quais trechos serão mantidos, o que aumenta a instabilidade nas conversas internacionais.

Luiz Fernando

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.

Graduado pela UFOP; Atua como redator realizando a cobertura sobre política, economia, empresas e investimentos.