Pior resultado

Mais um recorde no Brasil: pior déficit nas contas externas para fevereiro

Saldo negativo chega a US$ 8,76 bilhões, o pior resultado em uma década evidencia pressão sobre setor externo.

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  • Déficit de US$ 8,76 bilhões em fevereiro representa aumento de 124,4% em relação a 2024
  • Balança comercial negativa e aumento na remessa de lucros explicam o saldo piorado
  • Investimento direto no país (IDP) totalizou US$ 9,3 bilhões e compensou parte do rombo externo

O Banco Central divulgou, nesta quarta-feira (26), que as contas externas do Brasil registraram um déficit de US$ 8,76 bilhões em fevereiro de 2025. Esse é o maior saldo negativo para o mês desde 2014, refletindo o aumento na remessa de juros, lucros e dividendos ao exterior, além de um desempenho mais fraco da balança comercial.

Crescimento expressivo do déficit

O resultado de fevereiro representa um aumento de 124,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em janeiro, o saldo negativo havia sido de US$ 8,56 bilhões, levando o acumulado do primeiro bimestre para US$ 17,3 bilhões.

Nos últimos 12 meses, o déficit nas transações correntes atingiu US$ 70,2 bilhões, o equivalente a 3,26% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior patamar desde novembro de 2015.

A piora no saldo das contas externas está diretamente ligada ao desempenho da balança comercial brasileira. Em fevereiro, o saldo entre exportações e importações foi negativo em US$ 979 milhões, contrastando com o superavit de US$ 4,39 bilhões registrado no mesmo período de 2024.

A diferença de US$ 5,37 bilhões reflete uma maior dependência de importações e a menor competitividade das exportações brasileiras.

Investimento estrangeiro equilibra saldo

Apesar do resultado negativo, o Investimento Direto no País (IDP) teve desempenho positivo, totalizando US$ 9,3 bilhões em fevereiro.

Esse valor foi superior aos US$ 5,3 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado e ajudou a mitigar o impacto do déficit externo. No acumulado de 12 meses, o IDP somou US$ 72,5 bilhões, o equivalente a 3,38% do PIB.

Perspectivas para o setor externo

Especialistas avaliam que o agravamento do saldo negativo nas contas externas exige maior atenção por parte das autoridades monetárias. Fatores como a política de juros no Brasil e nos Estados Unidos, oscilações no comércio global e a evolução do cenário fiscal do país podem influenciar a trajetória das contas externas nos próximos meses.

O governo busca incentivar exportações e atrair mais investimentos produtivos para equilibrar os fluxos financeiros e evitar um aumento excessivo da vulnerabilidade externa.

Confira abaixo os dados do relatório “Estatísticas do Setor Externo” do Banco Central do Brasil:

Rocha Schwartz
Paola Rocha Schwartz
Estudante de Jornalismo, apaixonada por redação e escrita! Tenho experiência na área educacional (alfabetização e letramento) e na área comercial/administrativ