
- Apenas 2% contratam planejadores financeiros, apesar de 49% considerarem fazê-lo.
- 43% dos brasileiros não possuem reserva financeira para emergências.
- 84% enfrentaram imprevistos no último ano, como dívidas e atrasos.
Quase metade dos brasileiros (43%) ainda vive sem qualquer reserva para imprevistos, segundo levantamento do Datafolha divulgado nesta terça-feira (4). Mesmo entre os que afirmam ser organizados com as finanças, a maioria não consegue guardar dinheiro para emergências.
O estudo também mostra que metade da população (52%) não sabe quanto gasta por mês, revelando o baixo nível de educação financeira do país. O cenário se torna ainda mais preocupante diante de outro dado: 84% dos entrevistados enfrentaram emergências financeiras no último ano.
Classe C é a mais vulnerável e concentra maior parte dos sem poupança
A classe C, que representa a maior parcela da população, responde por 78% dos brasileiros sem dinheiro guardado. O levantamento, encomendado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), ouviu 2.000 pessoas das classes A, B e C, entre 16 e 29 de julho de 2025.
Com margem de erro de 2 pontos percentuais, a pesquisa mostra que mesmo entre quem se diz planejado (59%), a maioria falha em criar uma reserva. Despesas inesperadas, atrasos em contas e empréstimos foram as emergências mais citadas nos últimos 12 meses.
Para especialistas, o dado revela baixa cultura de poupança e desconhecimento sobre juros e crédito, fatores que dificultam o acúmulo de patrimônio e a estabilidade financeira.
Planejamento patrimonial segue estagnado e testamento é exceção
Apenas 7% dos brasileiros possuem testamento, mesmo que 56% já tenham pensado em como distribuir seus bens.
O levantamento aponta que 57% não contam com nenhum auxílio financeiro profissional, e apenas 2% contrataram um planejador, embora quase metade (49%) manifeste interesse futuro.
Esse comportamento evidencia falta de orientação financeira, mesmo em faixas de renda mais altas. O planejamento patrimonial, segundo analistas, ainda é visto como algo distante da realidade da maioria das famílias.
Maioria se diz planejada, mas poucos sobram no fim do mês
Apesar de 64% afirmarem planejar seus gastos mensais, apenas 39% conseguem pagar as contas sem sobrar dinheiro, e 19% admitem que nem sempre conseguem quitar todas as despesas.
Entre os que se declaram satisfeitos com a própria condição financeira (16%), 82% acompanham regularmente seus gastos, contra apenas 55% dos insatisfeitos. A diferença mostra o peso do controle financeiro na percepção de bem-estar econômico.
Para a Planejar, os dados reforçam a necessidade de educação financeira acessível e políticas públicas voltadas à formação de poupança das famílias.